Audiência pública na Câmara Municipal debateu problemas do SAAE de Alagoinhas

 

 

Jense 5Comunidade, vereadores, entidades e direção se debruçaram em debater os principais problemas do SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Alagoinhas na tarde de hoje (12), com 16 dos 17 vereadores e mais de 400 pessoas nas galerias.

 

A audiência foi convocada pelo vereador Jenser Souza (REDE), que conduziu os trabalhos, inovando a forma de fazer debate, começando por ouvir a comunidade e as entidades que representam os diversos locais da cidade e da zona rural afetados pelos problemas gerados pela falta d’agua, bem como no sistema de esgotamento sanitário.

 

Jenser Souza pontuou alguns temas que deveriam nortear a audiência, a exemplo da falta de investimentos, o poço artesiano de Boa União, a ausência de um site, a precariedade das estações de tratamento de água e das estações de tratamento de esgoto, a falta d’agua em divers locais e as obras do Silva Jardim, que se arrastam, mas o público acabou dando o tom do evento, abordando problemas diversos.

 

O diretor-geral da autarquia, Caio Castro, respondeu a todas as indagações. Primeiro ele falou que o SAAE, uma empresa de Alagoinhas que já tem 50 anos, vem passando por dificuldades financeiras que não são de agora, e o que a empresa arrecada, cerca de R$ 2 milhões, não são suficientes para as necessidades que se apresentam, pois os gastos mensais passam de R$ 2,3 milhões, 60% desse valor é aplicado na folha de pagamento, benefícios, impostos e o restante é para custeio. Somente com a Coelba o SAAE tem um gasto mensal de R$ 290 mil, totalizando R$ 4,3 milhões/ano.

 

Segundo Caio Castro, o ideal seria uma arrecadação em torno de R$ 2,5 milhões, valor que daria para promover investimentos na cidade como troca de tubo de amianto, melhoria nas estações de tratamento, ampliação da rede de abastecimento e aquisição de novos hidrômetros.

 

A melhoria na arrecadação, segundo Caio Castro, passou pela negociação com grandes devedores, aquisição de cerca de 4.600 novos hidrômetros e na taxa de religação de novas contas. Hoje, segundo ele, são 58.331 pontos de ligação de água, 46 mil ativas e 11 mil inativas (cortes ou inativas). Mas para melhorar a máquina será necessário um aporte de R$ 1,5 milhão, recursos que poderiam ser investidos em novos hidrômetros, ampliação da rede de abastecimento e troca de tubulação.

 

A previsão orçamentária para 2016 da autarquia é de R$ 24 milhões, insuficientes para devolver ao SAAE o conceito que já teve de empresa eficiente e boa pagadora. Recentemente, disse Caio, o SAAE trocou a frota antiga de carros por um aluguel de R$ 30 mil/mês, adquirindo carros novos e ágeis. “Antigamente, e bem recente, os servidores do SAAE andavam numa camionete, quatro ou cinco na parte de cima, e quando pegavam a BR tinham que fazer um desvio no Posto Rodoviário, mas hoje eles têm um carro confortável e ágil, o que tem motivado o serviço e consequentemente a sua qualidade”, disse Caio.

 

Ele também falou que os carros, máquinas e equipamentos velhos passaram por um leilão realizado recentemente na Câmara Municipal. O valor arrecadado, R$ 86 mil, foi destinados à aquisição de motos para o setor de fiscalização e ligações. O valor ainda não deu para adquirir todas as motos, pois ainda necessita de pelo menos dez.

 

As discussões também passaram pelo campo político. O vereador Luciano Sérgio (PT) elogiou a postura de Caio Castro, que, diferente do ex gestor, falou com tranquilidade e leveza. Luciano sugeriu que a autarquia invista na aquisição de um sistema solar para todos os setores ao invés de gastar R$ 4,3 milhões/ano com energia da Coelba. Luciano disse também que é necessário ter mais transparência e melhora no sistema de abastecimento.

 

O vereador Radiovaldo Costa (REDE) disse que o problema do SAAE até 2015 foi gestão, agora é falta de investimento. “O SAAE tem condições de ser exemplo no fornecimento de água, mas o órgão está sucateado”, disse. Mais cético, o vereador Jorge Mendes disse que o SAAE não tem gestor que dê jeito, e que o prefeito está empurrando a solução dos problemas para o próximo prefeito. Jorge da Farinha pediu uma atenção maior à zona rural. Gilson Guimarães, líder do Governo, disse que nos últimos oito anos do prefeito Paulo Cezar, o SAAE só teve quatro aumentos na conta de água. Lenaldo Simões disse que faltou ao SAAE planejamento, pois vários conjuntos foram construídos e os gestores não se atentaram a isso.

 

Vanderler Soares

Assessor de Comunicação Social

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