Reunião da Comissão de Transporte da Câmara desnuda situação do setor em Alagoinhas

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Em quase três horas de debates, dez entidades presentes, muitas queixas, muitas propostas, e uma única certeza, a de que o sistema de transporte de Alagoinhas precisa tomar novos rumos urgentemente. A reunião, realizada na manhã de hoje (29) foi convocada pela Comissão de Transporte, mas seis vereadores de outras comissões participaram, bem como representantes do Conselho Municipal de Transporte, secretários do município, empresas do setor, mototaxistas, Sindicato dos Rodoviários e representantes dos estudantes secundaristas e universitários.

A reunião foi convocada para debater a proposta aprovada pelo Conselho Municipal de Transporte de majorar a tarifa do sistema de transporte público de R$ 2,20 para R$ 2,50, mas acabou debatendo questões relativas ao sistema, não avançando quanto à tarifa e quando ela entrará em vigor.

O advogado do Sindicato das Empresas de Transporte – Sindetcura, Eloan Ferreira, se encarregou de apresentar os motivos do pleito da entidade para o aumento da tarifa. Já o representante dos estudantes, Vanderlon Santana, disse que Alagoinhas tem uma tarifa cara e os estudantes são as maiores vítimas, pois muitos pagam em média quatro passagens diariamente, principalmente os universitários.

A sugestão de Vanderlon de estender de forma circular o transporte público até as universidades ecoou entre os presentes. O vereador Radiovaldo Costa sugeriu que fosse criada uma linha circular bairro a bairro passando por todas as universidades – cujas instalações são em polos diferentes -, beneficiando também a comunidade.

 

Governo Municipal é a favor da tarifa de R$ 2,50

 

Na ausência de Anderson Baqueiro, SMTT, e João Rabelo, Secretário de Governo, da reunião, o secretário Institucional Jessé Bico de Pena disse que o Governo Municipal é a favor do aumento da tarifa, mas queria primeiro ampliar a discussão com a comunidade para depois baixar o decreto. Dos 11 membros do Conselho Municipal, seis do Governo (Sesep, Secin, SMTT, Gabinete, Procuradoria Jurídica e Governo), todos votaram a favor da nova tarifa. O Sindetcura completou os sete, mas ainda tinha a UAMA, UARA, rodoviários e demais entidades que também aprovaram o aumento, com exceção da representatividade estudantil.

 

Arão propôs tarifa intermediária

 

O vereador professor José Arão propôs uma alternativa ao impasse da tarifa de R$ 2,50. Segundo ele, uma tarifa de R$ 2,40 seria razoável, mas a maioria votou contra por considerar que a medida só protelaria um aumento maior no futuro, a exemplo do que aconteceu com a Petrobras.

 

Cleto quer ampliar discussão do sistema

 

O vereador José Cleto (PTC), disse que a tarifa precisa ser admitida logo porque em maio a categoria rodoviária entra em negociação com a classe empresarial, e que a discussão na ficasse apenas na tarifa, mas na gestão do sistema, ainda desregulamentado.

 

ATP só circula no Miguel Velho até 18h

 

Uma das reivindicações do empresariado e abraçado pela maioria, é a melhoria da malha rodoviária, aliada à segurança pública, o que deve diminuir a ação dos bandidos. No bairro Miguel Velho, por exemplo, a empresa ATP só circula até às 18h, o que é ruim para estudantes do bairro que precisam sair e voltar à localidade.

 

Publicidade nos ônibus é um ganho a mais

 

O estudante Vanderlon Ferreira incluiu na sua planilha o lucro que as empresas de ônibus têm com a afixação no fundo dos ônibus de adesivos publicitários, os chamados busdor, bem como a publicidade dos pontos de ônibus da cidade. Ele quis saber de quem era o lucro da publicidade afixada nos pontos de ônibus e quem eram os verdadeiros interessados. Não houve resposta à sua indagação.

 

É preciso melhorar para manter as empresas da cidade

 

Advogado convidado pela empresa Xavier, Giorlando Guimarães fez uma ampla defesa das empresas locais, lelmbrando os episódios recentes onde uma empresa de fora até chegou a se instalar, trouxe uma frota e depois teve que deixar a cidade. “Estes homens estão aqui desde o surgimento de suas empresas, moram nas garagens e geram mais de 450 empregos, sustentando mais de duas mil pessoas”, disse Giorlando ao se referi às empresas Xavier e Cidade de Alagoinhas.

 

Mototaxi é caro e dificulta o transporte público

 

Uma corrida de mototaxi em Alagoinhas custa em média R$ 4, enquanto a tarifa de ônibus é R$ 2,20. Presente ao debate, Messias Santos, representante dos Mototaxistas, disse que já são quase 4.500 mototaxistas na cidade. Um dos presentes disse que o prefeito Paulo Cezar, em ano eleitoral, não vai querer regulamentar o setor para não contrariar a maioria.

 

Sistema de transporte precisa ser regulamentado

 

O sistema de transporte público de Alagoinhas funciona há mais de 30 anos sem nenhuma regulamentação. O assunto é unanimidade entre todos que o sistema precisa ser aprimorado, o setor público tem que se empenhar em criar mecanismos de fiscalização e punição aos irregulares, pois motos não credenciadas e vans sem autorização da SMTT estão rodando dentro de Alagoinhas fazendo lingas regulares para bairros até próximos ao centro, a exemplo da Praça Kennedy.

 

Gratuidade é um dos vilões do sistema

 

Um dos temas mais abordados pela maioria na reunião foi a gratuidade ao sistema de transporte público. Presente ao evento, Anderson Baqueiro, superintendente da SMTT e presidente do Conselho Municipal de Transporte, disse que Alagoinhas possui 4.315 passes gratuitos regulamentados pela Câmara através de Lei, citando os 1.700 idosos e 2.529 deficientes físicos. Ele foi lembrado que além desses, policiais, carteiros e agentes de endemias e de saúde não pagam o transporte. No caso específico dos agentes de endemias e de saúde já houve um acordo em que a prefeitura se comprometeu a pagar mensalmente os vales, transformados em cartões, mas paralisado por causa da intervenção do Sinpa, Sindicato dos Servidores, que nem é o representante legal da classe, e sim o Sindacs, disse Radiovaldo Costa. Pelos cálculos, a prefeitura, que chegou a pagar um mês no ano de 2014, já deixou de repassar às empresas algo em torno de R$ 600 mil, uma média de R$ 30 mil/mês.

 

Sessão da Câmara refletiu reunião da manhã

 

A sessão ordinária de hoje (29), foi o reflexo da reunião da Comissão de Transporte na manhã. Mesmo os que não foram à reunião abordaram o assunto, a maioria se posicionando sobre os trabalhadores, as empresas e as mudanças no sistema.

 

ACOM CÂMARA

Vanderley Soares

Assessor de Comunicação Social

FOTOS: Bigu Góes

 

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