Em 1951, o então prefeito da cidade de Alagoinhas, Pedro da Costa Dórea, enviava à Câmara Municipal o seu primeiro relatório anual de prestação de contas ao Legislativo, dando ciência de como a cidade fora encontrada em seus diversos aspectos urbanísticos, financeiros e administrativos. Esse trabalho de pesquisa e levantamento histórico da Câmara Municipal é feito pelo servidor Ivanildo Lima e pelo diretor da Escola do Legislativo, jornalista Vanderley Soares.
A ata de 1951 foi enviada para o UNEB-Universidade do Estado da Bahia, através do programa de pós-crítica, onde, através de um convênio com o Legislativo, permite-se a recuperação, higienização e digitalização de centenas de documentos, atas e prestações de contas como a citada acima. Ao longo de quase dois anos de trabalho de recuperação, já estão disponibilizadas mais de 40 mil páginas do acervo recuperado, aptos para pesquisa e construção de fatos históricos da Câmara.
Com 24 mil eleitores em 1951, o prefeito Pedro da Costa Dórea reclamava que apenas 840 consumidores de anergia garantiam a manutenção do sistema de produção de energia da Usina Municipal, encontrada à época, em 1950, com problemas em seus motores, geradores e equipamentos diversos, mas com a aquisição de novos equipamentos ao valor de então de Cr$ 112.500,00, ainda sem dispor de um dínamo conjugado de 100 KVA, buscando outros meios de adaptação à tecnologia da época.
O documento de prestação de contas também relata o número de servidores disponíveis e contratados pela prefeitura. Em 1951, eram apenas 57 funcionários, mas, desses, quatro já estavam afastados por licença ou haviam falecido, citando nome por nome dos ausentes ou falecidos, justificando a necessidade da contratação de novos servidores. Um desses servidores afastados era João de Castro, contador, substituído por José Marcelino da Silva, uma forma de evitar sofrer solução de continuidade.
Com o balanço feito pela nova Contadoria Municipal foram encontrados em caixa o valor de Cr$ 696.534,80, mas uma dívida ativa superior a Cr$ 500.000,00, sendo necessário ampliar o leque de cobrança para evitar o caos administrativo, diz o então prefeito Pedro da Costa Dórea em seu documento.
Outra forma encontrada pelo então prefeito Pedro Dórea foi o de aumentar os valores dos impostos prediais. No documento ele cita o disparate de valores cobrados às casas de número 5, 17 e 31 da rua Luiz Viana como exemplos, e ainda cita os nomes de seus respectivos proprietários, um deles a senhora Raquel Bião, cuja mansão abrigou o médico e intendente da Câmara Municipal, Joaquim Climério Dantas Bião, que em 1919 abrigou o Conselheiro Rui Barbosa e comitiva num jantar cheio de pompa e circunstância. Rui Barbosa estava em campanha eleitoral à época e foi convidado para um jantar na casa do intendente.
Ainda consta no relatório de prestação de contas do então prefeito Pedro da Costa Dórea que a prefeitura possuía apenas um caminhão e três carroças para a limpeza pública. Fala também dos mercados públicos e do Matadouro Municipal -hoje um prédio abandonado, instalado ao lado do Centro de Cultura-, e a necessidade de construir no espaço uma área destinada à matança de suínos e lanígeros (animais com lã).
O documento também aborda a necessidade de ampliação do Cemitério Municipal, ganhando nova dimensão em 50 metros de comprimento por 60 metros de largura, falando da necessidade de abrigar novas inumações (enterros) para os próximos anos. A obra foi autorizada em 26 de fevereiro de 1951, com previsão de entrega em 40 dias.

O prefeito Pedro da Costa Dórea ordenou fiscalização imediata aos pontos de venda de carne, pão e leite, pois muitos comerciantes estavam falsificando pesos (na época a balança de peso era tradicional), lesando os compradores em 200 e até 250 gramas por cada quilo adquirido.
O abastecimento de água, feito através de aguadeiros e chafarizes, era um problema que preocupava a administração. No relato, o prefeito Pedro da Costa Dórea cita a dificuldade de acesso à Fonte do Lima, que funcionava entre as estações férreas, cujo terreno fora adquirido. A saída do prefeito foi arrendar uns terrenos na rua Padre Vieira, no curral, ao largo do Conselho Municipal (Câmara Municipal), e cuja inauguração dar-se-ia antes da chegada da energia elétrica naquela área. Depois, com um sistema motriz gerado por energia, seria construído um chafariz e feito o bombeamento da água e disponibilizá-la à comunidade gratuitamente.
O documento também relata a aspiração do município de ter uma estrada ligando ao vizinho Pedrão, bem como aos distritos de Araçás, ao município de Itanagra, à localidade de Jangada, mas, principalmente à praia de Subaúma. O documento trata da necessidade de expandir esses lugares social e economicamente, dando uma nova vida aos lugares.
“Esse documento foi apresentado à Câmara Municipal pelo prefeito Pedro da Costa Dórea em 7 de abril de 1951.”
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Vanderley Soares