Rádio Emissora de Alagoinhas e vereadores foram barrados na porta do Estádio Carneirão em 1971

O fato chegou ao plenário e por pouco não foi instaurada uma CPI para apurar o ocorrido

A capa do jornal 2001, de meados de 1971, traz em sua capa, em letras garrafais, que a Rádio Emissora de Alagoinhas não entra no Estádio Municipal. No texto, de autoria do editor, ele relata a vergonha para a cidade em vetar o acesso dos radialistas e retransmissores dos jogos ali realizados, principalmente entre Atlético e os grandes clubes do país, especialmente da capital, mas o povo não entendia o por que as rádios de Salvador tinham acesso e transmitiam os jogos.

Na época, o prefeito da cidade era Murilo Cavalcanti, o presidente da Câmara era Antônio Paolilo, e a Rádio Emissora de Alagoinhas era de José da Silva Azi, vereador e opositor do prefeito. A Rádio, no texto do jornal 2001, fazia oposição ao prefeito, que por sua vez criava dificuldades para a Emissora.

E não foi apenas a rádio que teve dificuldades de acesso ao Estádio. Alguns vereadores também foram barrados na porta do Estádio, e com suas respectivas famílias. E o assunto ecoou nas próximas sessões ordinárias, com pronunciamentos em defesa do acesso e outros contrários. José Francisco e Antônio Xavier foram os primeiros barrados na entrada.

O único a se opor ao livre acesso dos vereadores foi Altino Rocha. Arguido pelo colega Antônio Xavier, cujo acesso fora negado no estádio e, em virtude do fato, deu entrada num requerimento exigindo explicações ao Executivo, Rocha disse lamentar que os vereadores tenham sofrido tamanha falta de cortesia no Estádio, mas não havia nenhuma garantia legal para o acesso gratuito aos Edis e seus familiares.

O vereador José Azi discordou do colega Altino Rocha, dizendo solidarizar-se com os colegas barrados no Estádio, pois acreditava que o Estádio era do município, daí o acesso livre ao vereador ser um fato natural.

O vereador Domingos Veloso relatou em sua fala que o mais grave não foi apenas o impedimento de ingresso dos vereadores no Estádio, mas a agressão verbal sofrida por eles, mas não tinha certeza, pois não estava entre os que tentaram acesso. Mais veemente, Veloso sugeriu que fosse instaurada uma Comissão de Inquérito para apurar os fatos, se solidarizando aos colegas.

Autor do requerimento, Antônio Xavier disse que identificou que o porteiro não era funcionário da prefeitura, mas um preposto da FBF-Federação Bahiana de Futebol e, havia tomado a decisão de nunca mais ir ao Estádio.

A inauguração do Estádio Carneirão, em 24 de Janeiro de 1971, aconteceu com uma partida entre Bahia X Corinthians. O Esquadrão venceu o alvinegro paulista por 3 a 2, com gols do zagueiro Zé Oto e dos atacantes Beijoca e Carlinhos. A expectativa, porém, era que Rivelino comandasse uma revanche corinthiana no interior da Bahia.

Ficou apenas na expectativa. O Bahia, comandado por Fleitas Solich, marcou três vezes, com os atacantes Carlinhos, Artur e Sanfilippo. O Corinthians fez apenas um, terminando 3 a 1 para o Esquadrão. Para completar mais um fracasso corinthiano em território nordestino, Rivelino ainda foi expulso. Festa tricolor na cidade.

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Vanderley Soares

Acesso Rápido