Câmara une vozes em repúdio ao feminicídio e cobra ações estruturais contra a violência de gênero

A sessão ordinária da Câmara Municipal realizada nesta terça-feira (24) foi marcada por debate apartidário sobre a escalada da violência contra as mulheres. Motivados pelo recente caso de tentativa de feminicídio contra a jovem Thayná (moradora de Alagoinhas), parlamentares exigiram punições mais severas, reformas educacionais e o fortalecimento da rede de proteção às vítimas.

O vereador Gleyser Soares expressou sua angústia diante da proximidade da violência e convocou os homens da Casa a assumirem essa bandeira como representantes do povo. O presidente do Legislativo, José Cleto, endossou a fala, reforçando que o enfrentamento deve ser focado na orientação familiar e na punição rigorosa dos agressores, rejeitando qualquer discurso que tente naturalizar a barbárie.

A vereadora Juci Cardoso destacou que o enfrentamento à violência exige uma mudança profunda de comportamento, criticando posturas que naturalizam o desrespeito aos corpos e às vidas íntimas das mulheres. “Feminicida preso não ressuscita mulheres mortas. É preciso parar de cobrar apenas delas e exigir o compromisso dos homens, pois são eles que violentam”, pontuou.

No mesmo sentido, Edy da Saúde fez um alerta com base em relatos de sobreviventes, orientando que as mulheres observem sinais e históricos de comportamento dos parceiros como forma de prevenção primária.

A vereadora Jaldice Nunes parabenizou a Guarda Municipal pelo socorro à vítima, mas cobrou a efetivação do NUPES e melhor estrutura para a corporação, denunciando ainda um caso de abuso infantil na cidade. O vereador Anderson Xará ressaltou que a impunidade alimenta o crime.

A vereadora Luma Menezes classificou o aumento de casos como reflexo de uma sociedade que resiste à liberdade feminina, alertando para o perigo de conteúdos misóginos nas redes sociais.

A necessidade de endurecimento das leis foi o ponto central da argumentação da vereadora Raimunda Florêncio, que defendeu penas máximas, como castração química e prisão perpétua, para crimes bárbaros.

O vereador José Edésio corroborou a gravidade da situação, criticando a inversão de valores na educação contemporânea e relatando firmeza ao negar apoio a familiares de agressores. O vereador Cláudio Abiude chamou a atenção para o “silenciamento das mordaças sociais”, destacando que a maioria dos casos de agressão sequer chega a se tornar notícia.

Já o vereador Noberto Alves (Bebé) classificou agressores de vulneráveis como “monstros” e defendeu o voto consciente como ferramenta para selecionar gestores comprometidos com o rigor das leis.

Finalizando os debates, o vereador Thor de Ninha alertou para o papel dos algoritmos das redes sociais na potencialização da violência digital e defendeu que a mudança cultural é o maior desafio do país.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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