Tribuna Popular: integrante do Movimento de Pessoas com Fibromialgia  reforça defesa por acolhimento e políticas públicas

Gicélia Sampaio, integrante do Movimento de Pessoas com Fibromialgia de Alagoinhas, utilizou a Tribuna Popular nesta terça-feira (12). Mesmo enfrentando um quadro de chikungunya, ela fez questão de comparecer à sessão para dar visibilidade à realidade vivida diariamente por centenas de pessoas acometidas pela doença crônica, marcada por dores intensas, fadiga, insônia e hipersensibilidade.

“Hoje não estou muito bem, porque estou com chikungunya, e realmente é algo terrível. Mas minha fala já estava programada e fiz o possível para estar aqui nesta manhã, mesmo sentindo muitas dores”, afirmou logo no início do pronunciamento.

Durante a fala, Gicélia destacou que a fibromialgia vai muito além da dor física e alertou para a invisibilidade enfrentada pelos pacientes, sobretudo pelas mulheres, que representam a maioria dos diagnósticos.

“Muitas vezes a sociedade duvida do que sentimos, porque não vê deformações, inchaços ou sangramentos aparentes. Mas eu peço que tenham empatia, porque realmente é uma doença muito dolorosa. Ela dói diariamente”, declarou.

Em um relato pessoal, ela contou que convive com a fibromialgia desde os 14 anos e relembrou as dificuldades enfrentadas em uma época em que a doença ainda era pouco conhecida e frequentemente desacreditada até mesmo no meio médico.

“Antigamente, muitos médicos diziam que era ‘coisa da cabeça’. As pessoas passavam anos sofrendo sem diagnóstico e sem tratamento adequado”, relatou.

A integrante do movimento também ressaltou a importância do tratamento multidisciplinar e destacou os avanços obtidos em Alagoinhas após a criação da lei municipal de autoria da vereadora Juci Cardoso, que possibilitou a implantação do atendimento especializado com reumatologista no município.

“Graças a essa iniciativa, conseguimos trazer atendimento com reumatologista para o município, algo que antes não existia”, afirmou.

Segundo Gicélia, atualmente o grupo municipal reúne cerca de 364 pessoas diagnosticadas com fibromialgia, muitas delas enfrentando limitações severas na rotina, dificuldades para trabalhar e impactos profundos na qualidade de vida.

Ao utilizar a palavra, a vereadora Juci Cardoso ampliou o debate ao destacar que a fibromialgia deixou de ser um tema invisível em Alagoinhas graças à mobilização dos pacientes e ao fortalecimento das políticas públicas municipais.

“A maioria das pessoas acometidas pela fibromialgia são mulheres. E não é coincidência que muitas doenças que atingem majoritariamente mulheres permaneçam invisibilizadas ou não recebam a devida importância”, afirmou a parlamentar.

Juci ressaltou que apenas no programa municipal já existem quase 600 pessoas cadastradas, número que se aproxima de mil pacientes quando somados os atendimentos realizados pela policlínica regional.

A vereadora também destacou que Alagoinhas tornou-se referência nacional ao estruturar um programa interdisciplinar voltado especificamente para pessoas com fibromialgia, envolvendo práticas integrativas, acompanhamento psicológico e atendimento especializado.

“Política pública nasce justamente da necessidade de enxergar aquilo que foi invisibilizado por tanto tempo”, pontuou.

Em um dos momentos mais fortes do pronunciamento, Juci chamou atenção para o preconceito enfrentado diariamente pelas pacientes e para os impactos sociais provocados pelas doenças crônicas.

“Existem pessoas em suas casas passando fome porque não conseguem trabalhar. Mulheres abandonadas pelos companheiros porque adoeceram”, afirmou.

Ao final do tempo da Tribuna Popular, foi reforçado o convite para o encontro de conscientização sobre a fibromialgia que acontecerá nesta quarta-feira (13), na Câmara Municipal, marcando os quatro anos do programa municipal de atendimento às pessoas com a doença em Alagoinhas. Parte superior do formulário

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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