Câmara Municipal realiza audiência pública sobre proposta do IFEP, instituto voltado à formação profissional em energia

Na manhã de ontem (24), a Câmara Municipal, por meio do mandato do vereador Thor de Ninha, realizou audiência pública para discutir a proposta de implantação de uma nova rede federal de educação especializada. O encontro reuniu representantes do Instituto Federal de Especialização Profissional (IFEP), de instituições de ensino, do setor produtivo e da sociedade civil. O projeto prevê formação profissional de nível médio e superior voltada às cadeias produtivas do petróleo, do gás, das energias renováveis, da transição energética e dos minerais críticos.

Representante do IFEP na Bahia, Joba Rocha explicou que a proposta já foi apresentada em diversos municípios do estado e destacou sua atuação para incluir Alagoinhas, Catu, Pojuca e São Sebastião do Passé entre as cidades contempladas. Segundo ele, a iniciativa busca ampliar o debate regional sobre educação profissional e desenvolvimento. “Foi uma luta incluir São Sebastião do Passé, Catu, Pojuca e Alagoinhas nesse projeto, porque essas cidades não estavam contempladas na proposta inicial”, afirmou.

A agente de mercado e representante do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial da Bahia (SENAI Bahia), Nathália Santana, parabenizou os responsáveis pela iniciativa e colocou a instituição à disposição para colaborar com a construção do projeto. Ela ressaltou que a educação profissional nas áreas abordadas pelo IFEP corresponde a uma demanda crescente em Alagoinhas e nos municípios vizinhos. “A educação profissional voltada para essas áreas estratégicas é uma prioridade, e o SENAI se coloca à disposição para apoiar, dentro das nossas possibilidades, a construção desse projeto”, declarou.

A gerente de Políticas de Inclusão, Diana Carvalho, representando a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), destacou a relação entre formação, inclusão e desenvolvimento. Para ela, projetos educacionais dessa natureza podem criar oportunidades individuais e contribuir para o avanço de toda a sociedade. “Precisamos pensar cada vez mais em inclusão e em oportunidades para o desenvolvimento das pessoas, porque é isso que também garante o nosso progresso enquanto sociedade”, afirmou.

Carlos Henrique Alves, representante da New Petroleum e idealizador do projeto Guerreiros do Petróleo, ressaltou que Alagoinhas está inserida em uma região produtora e próxima de diversos campos de petróleo. Ele defendeu o fortalecimento da formação profissional para atender à demanda futura do setor. “Até 2030, haverá escassez de profissionais na área do petróleo. Promover encontros como este, despertando o interesse e incentivando novos profissionais, é de grande importância”, destacou.

Idealizador do IFEP e ex-presidente do Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias, Nilson Cesário apresentou os objetivos, a estrutura e os fundamentos da proposta. Segundo ele, o instituto seria diferente dos Institutos Federais existentes por oferecer uma formação voltada exclusivamente à especialização profissional nas cadeias do petróleo, gás, energias renováveis, transição energética e minerais críticos. “O IFEP será uma instituição de especialização profissional, com legislação própria e direcionada aos territórios onde existe produção, exploração, processamento ou industrialização dessas riquezas”, explicou.

Durante a apresentação, Nilson Cesário destacou que o projeto foi construído a partir da constatação de que municípios produtores de petróleo e outras riquezas naturais nem sempre recebem desenvolvimento social proporcional aos recursos gerados. A proposta busca utilizar a educação especializada como instrumento de inclusão e reparação histórica. “Os territórios produzem uma riqueza bilionária, mas as comunidades que vivem ao lado dessas estruturas continuam enfrentando pobreza e falta de oportunidades”, afirmou.

O projeto prevê a implantação de unidades prioritariamente em municípios produtores ou impactados pelas atividades energéticas. Em Alagoinhas, a formação seria direcionada para que os próprios moradores pudessem ocupar postos qualificados nas atividades de exploração, produção, processamento, manutenção, tecnologia e industrialização. “O objetivo é especializar os moradores dos próprios territórios para que possam trabalhar na cadeia produtiva e participar das oportunidades geradas pela riqueza existente em sua cidade”, declarou.

Outro ponto apresentado foi a criação de um Fundo Nacional do IFEP, financiado por um percentual dos contratos das cadeias do petróleo, gás, energias renováveis e transição energética. De acordo com Cesário, esse modelo garantiria autonomia financeira às unidades, sem dependência direta dos orçamentos municipais ou estaduais. “Uma unidade do IFEP em Alagoinhas teria recursos próprios para manter sua estrutura, desenvolver pesquisas e promover intercâmbios com instituições de outras regiões”, explicou.

A proposta contempla uma trajetória de formação contínua no mesmo campus, permitindo que o estudante ingresse no ensino médio especializado e avance pela graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. O projeto também reúne educação, pesquisa, inovação tecnológica e relacionamento com a indústria. “O estudante poderá iniciar sua formação no nível médio e continuar, no mesmo espaço, até o pós-doutorado especializado”, ressaltou.

Nilson Cesário explicou ainda que o instituto não pretende oferecer apenas qualificação convencional, mas uma formação aprofundada sobre equipamentos, tecnologias, planejamento, manutenção, operação e processos industriais. “O aluno não aprenderá somente a executar uma tarefa. Ele compreenderá o funcionamento do sistema, a origem da tecnologia e a finalidade de cada equipamento”, afirmou.

A estrutura apresentada inclui laboratórios para atividades terrestres e marítimas, setores de pesquisa e inovação, ginásio esportivo, centro cultural, museu da cadeia produtiva, alojamentos, transporte gratuito e alimentação para os estudantes. A proposta também prevê bolsa de estudos, uniformes, acompanhamento social e atendimento à saúde. “O serviço social será a bússola do projeto, acompanhando as condições familiares, econômicas e emocionais dos alunos para garantir que eles permaneçam estudando”, declarou.

O projeto estabelece ainda a inclusão de pessoas com deficiência e o respeito à diversidade como princípios institucionais. Segundo o idealizador, os recursos tecnológicos disponíveis permitem ampliar a participação de diferentes públicos nas atividades profissionais e científicas. “O IFEP acolherá todas as pessoas, independentemente de deficiência, orientação sexual, identidade, religião ou condição social”, destacou.

A rede teria integração nacional entre os campi e cooperação internacional com países do BRICS e nações produtoras de petróleo e minerais críticos. A intenção é possibilitar o intercâmbio permanente de conhecimentos, pesquisas, equipamentos e soluções tecnológicas. “Uma tecnologia desenvolvida em outro país poderá ser compartilhada com Alagoinhas e com todas as unidades brasileiras da rede em tempo real”, explicou.

Cesário também abordou a importância das terras raras e dos minerais críticos para a produção de veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas aeroespaciais, aparelhos médicos e outras tecnologias. Ele defendeu que o Brasil avance do modelo de simples extração para o processamento e a fabricação de produtos industriais. “A Bahia não pode apenas extrair e exportar seus minerais. Precisa processar essa riqueza, produzir equipamentos e gerar emprego e conhecimento dentro do próprio estado”, afirmou.

O vereador Thor de Ninha, responsável pela audiência pública, destacou que diferentes ciclos de exploração das riquezas brasileiras não produziram desenvolvimento equivalente para as populações dos territórios produtores. Para o parlamentar, o IFEP apresenta uma proposta de reparação histórica por meio da educação profissional e científica. “Precisamos preparar o nosso povo para utilizar as nossas riquezas e produzir desenvolvimento para nós mesmos, e não apenas para os outros”, declarou.

Thor ressaltou que muitos jovens não conseguem desenvolver suas capacidades por falta de acesso à formação e às oportunidades profissionais. Segundo ele, a proposta busca aproximar a juventude das áreas de pesquisa, tecnologia e inovação. “Precisamos permitir que cada cidadão descubra e desenvolva o seu potencial e que esse potencial seja colocado a serviço da nossa sociedade”, afirmou.

Após a apresentação, Carlos Henrique Alves reforçou que a indústria do petróleo já enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra especializada na Bahia. Ele explicou que a expansão das operações marítimas também poderá abrir vagas nas atividades realizadas em terra. “Um projeto como este, iniciando hoje, já começa atrasado, porque o setor de petróleo precisará, em curto prazo, de profissionais qualificados e preparados”, alertou.

Ao encerrar a audiência, Thor destacou que a iniciativa representa um ponto de partida para a construção de uma sociedade mais justa por meio da educação profissional e científica. “Precisamos de uma educação capaz de colocar a nossa juventude e o nosso país na rota do desenvolvimento”, concluiu.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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