Vereadores José Edésio, Luciano Almeida e Cláudio Abiúde defendem ações de prevenção ao suicídio e ampliação da atenção à saúde mental

A necessidade de ampliar as ações de prevenção ao suicídio e fortalecer a atenção à saúde mental em Alagoinhas mobilizou os vereadores José Edésio, Luciano Almeida e Cláudio Abiúde na sessão desta quinta-feira (3). O debate ocorreu após a votação de uma proposição apresentada por José Edésio, voltada à implantação de um programa municipal de prevenção ao suicídio.

Autor da matéria, José Edésio explicou que a iniciativa tem caráter essencialmente preventivo e busca criar uma estrutura capaz de acolher e orientar pessoas antes que situações de sofrimento psíquico se agravem.

“Nós não estamos criando uma instituição para fim de tratamento, porque nós precisamos fazer prevenções”, ressaltou o vereador. Para ele, diferentes transtornos e situações de sofrimento podem atingir qualquer pessoa e precisam ser identificados e acompanhados antes de chegarem a situações extremas.

José Edésio destacou ainda que o preconceito relacionado à saúde mental muitas vezes dificulta a procura por ajuda. Segundo o parlamentar, pessoas que enfrentam quadros depressivos ou outros transtornos podem evitar buscar atendimento por vergonha, medo de julgamentos ou pela associação equivocada entre sofrimento emocional e incapacidade.

“Transtornos todos nós temos e passamos. Só não podemos deixar nos agravar”, afirmou.

Ao finalizar sua manifestação, José Edésio agradeceu o apoio recebido dos demais parlamentares e fez questão de compartilhar politicamente a iniciativa com toda a Casa. “Sintam-se todos os 17 autores dessa matéria”, declarou.

Experiência familiar

Em um pronunciamento marcado pela emoção, o vereador Luciano Almeida manifestou apoio à proposição e relatou uma experiência vivenciada por sua própria família. O parlamentar contou que perdeu um irmão por suicídio há cerca de 13 ou 14 anos e afirmou que a experiência deixou marcas permanentes.

“É uma ferida que nunca fecha”, declarou.

Luciano afirmou que recebe frequentemente ligações e mensagens de pessoas procurando ajuda para conseguir atendimento psicológico ou psiquiátrico. Segundo o vereador, em algumas situações, a quantidade de profissionais disponíveis não seria suficiente para atender à demanda existente.

O parlamentar chamou atenção ainda para a necessidade de reconhecer sinais de sofrimento e combater preconceitos relacionados à depressão. Para Luciano, julgamentos que associam a doença à fraqueza ou à falta de fé contribuem para dificultar o acolhimento de quem precisa de ajuda.

“Muitas pessoas dizem que depressão é coisa de gente fraca, de gente que não tem Deus no coração. É uma série de julgamentos. Mas a minha definição é de que a depressão é a doença da alma. Ela adoece a alma”, afirmou.

Luciano também alertou para situações envolvendo crianças, adolescentes e jovens, citando episódios de automutilação e problemas relacionados ao bullying e às dificuldades familiares. Para o vereador, é fundamental criar mecanismos capazes de identificar situações de risco e oferecer acolhimento antes que o sofrimento alcance níveis mais graves.

Ao manifestar apoio à proposta de José Edésio, Luciano Almeida assumiu ainda o compromisso de trabalhar pela obtenção de recursos para viabilizar a iniciativa. O parlamentar afirmou que poderá defender a destinação de emenda coletiva e buscar apoio do deputado federal Paulo Azi para contribuir com a implantação do centro de atenção proposto.

“Quero juntar-me a você nessa luta”, afirmou Luciano, destacando que o objetivo deve ser “salvar vidas de fato”.

Transtornos

O vereador Cláudio Abiúde também declarou apoio à iniciativa e compartilhou sua experiência familiar. O parlamentar contou que acompanha há 29 anos o tratamento psiquiátrico de sua mãe e destacou que os transtornos mentais afetam não apenas a pessoa diretamente acometida, mas todo o núcleo familiar.

“Cuidar de pessoas com uma situação psiquiátrica não é fácil, não é simples, porque a família adoece junto”, declarou.

Abiúde relatou anos de tratamento, utilização de medicamentos e internações e afirmou que sua experiência pessoal contribuiu para aproximá-lo de pautas relacionadas à saúde mental, ao autismo e às pessoas com deficiência.

O vereador ressaltou que sua família dispõe de condições para manter o acompanhamento e adquirir medicamentos, mas chamou atenção para a realidade das pessoas que não possuem os mesmos recursos.

“Eu me coloco sempre no lugar daquele que não tem condição nenhuma de tratar”, afirmou.

O parlamentar também relatou ter sido procurado recentemente por um jovem que havia se automutilado e precisava de medicamentos. Ao descobrir que ele não estava sendo acompanhado pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o vereador disse ter evitado entregar diretamente medicamentos controlados ao jovem em razão dos riscos envolvidos e buscado outra forma de encaminhá-lo até que recebesse atendimento especializado.

Para ele, situações como essa demonstram a importância de uma rede estruturada de atenção à saúde mental, capaz de oferecer acompanhamento profissional e acesso adequado ao tratamento.

“As pessoas precisam do tratamento psiquiátrico, precisam da medicação”, ressaltou.

Ao concluir, o parlamentar reiterou o apoio à proposição de José Edésio e afirmou que pretende integrar a mobilização pela implantação da iniciativa no município.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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