A importância dos programas de transferência de renda para a população de Alagoinhas, a defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento à intolerância política foram os principais temas do pronunciamento da vereadora Juci Cardoso na sessão de hoje (22). A parlamentar também relatou episódios de hostilidade motivados por suas posições políticas e criticou manifestações que, em sua avaliação, ameaçam a convivência democrática.
Juci Cardoso iniciou sua fala chamando a atenção para a situação socioeconômica do município. Segundo os dados apresentados pela vereadora, cerca de 90 mil pessoas vivem em condições de pobreza ou vulnerabilidade social em Alagoinhas.
A parlamentar afirmou que os programas de transferência de renda contribuem para amenizar esse cenário e movimentar a economia local. De acordo com ela, aproximadamente R$ 350 milhões provenientes de benefícios sociais foram destinados ao município somente no primeiro semestre.
Ao mencionar o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), Juci ressaltou que esses recursos não representam apenas uma fonte de sobrevivência para as famílias beneficiadas, mas também sustentam atividades comerciais e de prestação de serviços.
Segundo a vereadora, o dinheiro recebido pelas famílias é utilizado na compra de alimentos, gás de cozinha, eletrodomésticos e materiais de construção, entre outras despesas, beneficiando diferentes setores da economia.
Juci Cardoso criticou manifestações contrárias aos programas assistenciais e defendeu sua manutenção enquanto persistirem as desigualdades sociais. A parlamentar também questionou declarações que atribuiu ao
Para a vereadora, a defesa dessas políticas e garantias sociais não deve ser confundida com ataques a adversários políticos, mas compreendida como parte do debate sobre as prioridades do país.
Ao comentar o pronunciamento do vereador Gleyser Soares, que havia defendido o respeito às diferenças e a superação da intolerância, Juci concordou com a necessidade de construir pontes por meio da política, mas acrescentou que esse compromisso exige coerência entre o discurso e as atitudes.
“A política precisa criar pontes e não muros. Mas a política requer também coerência nas nossas falas, nos nossos discursos”, afirmou.

A parlamentar ressaltou que a circulação de informações falsas e os ataques pessoais comprometem o debate público e dificultam a convivência entre pessoas com posições políticas distintas.
Intolerância
Na sequência, Juci Cardoso abordou episódios de violência e discriminação contra mulheres em razão de suas posições políticas.
A vereadora mencionou um caso ocorrido na estação Butantã, do metrô de São Paulo, envolvendo uma mulher identificada como Mariana, que, segundo seu relato, teria sido agredida por um casal em razão da roupa vermelha que utilizava. Juci afirmou que, durante a agressão, também teriam ocorrido ofensas relacionadas à aparência e ao cabelo da vítima.
A parlamentar associou o episódio a uma experiência pessoal vivida em Alagoinhas, durante o período de campanha eleitoral.
Segundo ela, quando estava em uma padaria, vestindo uma camisa de apoio ao presidente Lula, um grupo de homens passou a fazer comentários ofensivos contra mulheres identificadas com a esquerda e contra feministas.
Juci relatou que as manifestações foram feitas em voz alta, de maneira que interpretou como uma tentativa de constrangê-la.
“Essas prostitutas, essas feministas”, reproduziu a vereadora, ao recordar parte das ofensas.
A parlamentar afirmou que procurou o responsável pelo estabelecimento e manifestou preocupação com a situação, ressaltando que um ambiente comercial frequentado por pessoas de diferentes opiniões não pode ser espaço para intimidação ou agressões.
Ao compartilhar a experiência, Juci Cardoso destacou que a intolerância política não se limita às discussões nas redes sociais e pode atingir diretamente a dignidade e a segurança das pessoas.
A vereadora também relatou situações em que, segundo afirmou, teve sua aparência, seu cabelo e seu direito de manifestação questionados, inclusive no ambiente parlamentar.
“Eu sei o que é isso na pele. Não apenas quando criança, mas hoje, quando até aqui dentro desta Casa algumas pessoas insistem em me tratar como menor, apenas por ser quem sou”, declarou.
Participação
Juci Cardoso relacionou a discussão sobre violência política ao histórico de participação das mulheres na vida pública.
Ao fazer referência aos 90 anos da primeira vereadora de Alagoinhas, Áurea Cravo, a parlamentar ressaltou a importância das conquistas femininas e da preservação dos direitos políticos das mulheres.
Lembrou que o direito ao voto feminino foi reconhecido no Brasil em 1932, resultado de uma trajetória de mobilização e reivindicações.
A vereadora criticou manifestações que questionam a participação feminina na política e rejeitou a ideia de que denunciar situações de discriminação represente uma tentativa de vitimização.
“Nós precisamos, sim, dizer que temos o direito de votar e ser votadas, porque as mulheres conquistaram isso na luta, em 1932”, afirmou.

Para Juci, discutir desigualdades, vulnerabilidades e discriminações é necessário para garantir a participação efetiva das mulheres nos espaços de decisão.
A parlamentar também defendeu que o exercício da política, independentemente das convicções ideológicas, deve respeitar os limites estabelecidos pela legislação.
Democracia
Na parte final do pronunciamento, Juci Cardoso reafirmou seu posicionamento político.
A vereadora afirmou que a defesa da democracia exige respeito às instituições e aos resultados eleitorais, inclusive quando eles contrariam as expectativas de determinado grupo político.
Segundo ela, a preservação das regras democráticas deve estar acima das disputas partidárias e dos interesses individuais.
Juci também abordou a soberania nacional, criticando manifestações favoráveis a intervenções estrangeiras no Brasil e defendendo a autonomia do país diante de pressões externas.
Ao encerrar, a parlamentar reafirmou seu compromisso com a participação política, os direitos sociais e a democracia, destacando que essas garantias devem ser preservadas para as próximas gerações.
“Enquanto houver vida, haverá luta. Não apenas nossa, mas de todos que defendem efetivamente a democracia”, concluiu.
Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz