Alagoinhas é água: patrimônio que abastece a cidade e preserva sua maior riqueza

Poucas cidades brasileiras têm sua história tão intimamente ligada à água quanto Alagoinhas. Foi ela que favoreceu o surgimento do município, impulsionou seu crescimento, atraiu investimentos e contribuiu para consolidar a cidade como referência pela qualidade de seus recursos hídricos. Mais do que um recurso natural, a água tornou-se parte da identidade alagoinhense. Como parte das comemorações pelos 173 anos de emancipação política de Alagoinhas, a Câmara Municipal apresenta o trabalho desenvolvido pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), responsável por captar, tratar e distribuir diariamente um dos maiores patrimônios do município.

Na Estação de Tratamento de Água (ETA) do Sobocó, Ramon Cerqueira, coordenador de Tratamento de Água do SAAE, apresentou a dimensão da operação responsável por abastecer grande parte da cidade.

Segundo Ramon, o sistema de abastecimento de Alagoinhas é formado por cerca de 50 estações de tratamento distribuídas entre a zona urbana e a zona rural. Somente na ETA do Sobocó, considerada uma das principais do município ao lado da unidade da Cavada, 11 poços artesianos operam ininterruptamente para captar água do subsolo, enquanto o SAAE mantém aproximadamente 78 poços espalhados por todo o território municipal.

“Toda a nossa água é proveniente de mananciais subterrâneos. Esses poços funcionam 24 horas por dia, captando a água do subsolo para que ela siga ao reservatório, onde passa pelo tratamento antes de ser distribuída à população”, explicou.

Ao apresentar um dos poços responsáveis pela captação, Ramon destacou que, diferentemente de muitos municípios brasileiros que dependem de rios e barragens, Alagoinhas tem o privilégio de captar água diretamente dos aquíferos subterrâneos. Essa característica garante uma matéria-prima de excelente qualidade e permite que o tratamento realizado seja mais simples do que o convencional.

“Nossa água já possui uma qualidade muito elevada em seu estado natural. Por isso realizamos um tratamento simplificado, com desinfecção, fluoretação e correção do pH, seguindo rigorosamente os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde”, afirmou.

Na sequência, o coordenador detalhou cada etapa do processo. Depois de captada, a água segue para um reservatório, onde recebe os produtos necessários para garantir sua potabilidade. Em seguida, bombas de alta potência impulsionam o abastecimento até diferentes regiões da cidade, vencendo inclusive grandes desníveis do terreno para que a água chegue às residências com a pressão adequada.

Mas garantir água de qualidade vai muito além do tratamento realizado na estação. Ramon destacou que o controle continua mesmo depois que a água deixa a ETA.

No laboratório do SAAE, equipes monitoram diariamente parâmetros como turbidez, cor, pH, desinfecção e qualidade microbiológica. Paralelamente, técnicos percorrem diversos bairros coletando amostras diretamente na rede de distribuição para confirmar que a água continua dentro dos padrões exigidos pela legislação.

“Além do controle realizado aqui na estação, fazemos coletas diariamente em diferentes pontos da cidade. Assim temos a certeza de que a água chega à torneira da população com a mesma qualidade com que saiu da estação de tratamento”, ressaltou.

Uma dúvida frequente entre os consumidores também foi esclarecida durante a conversa: a aparência esbranquiçada que a água pode apresentar ao sair da torneira.

Segundo Ramon, essa coloração não está relacionada ao excesso de cloro, como muitas pessoas imaginam.

“Essa coloração acontece por causa da pressão da água na tubulação, que provoca uma maior oxigenação. Basta colocar a água em um copo e aguardar alguns segundos para que ela volte a ficar totalmente transparente. Não é excesso de cloro”, esclareceu.

Outro aspecto destacado por Ramon foi a qualidade da água distribuída no município. Segundo ele, essa característica pode ser percebida pela necessidade de um tratamento reduzido e também pelo fato de esse patrimônio natural ter contribuído para a instalação de importantes indústrias de bebidas em Alagoinhas.

“Posso afirmar com segurança é que Alagoinhas possui uma água de excelente qualidade. Quanto menos intervenções precisamos fazer para torná-la potável, maior é a qualidade da própria água”, pontuou.

A atuação do SAAE, entretanto, vai além da zona urbana. Devido à grande extensão territorial de Alagoinhas, equipes trabalham diariamente para atender comunidades rurais, operando pequenas estações de tratamento, realizando monitoramentos constantes e, em alguns casos, mantendo o abastecimento por meio de carros-pipa até que novas redes sejam implantadas. Atualmente, mais de 95% da população já é atendida pelo sistema de abastecimento de água, enquanto a ampliação do esgotamento sanitário figura entre os principais desafios da autarquia.

“Nosso desafio agora é avançar no esgotamento sanitário. Levar água é fundamental, mas também precisamos coletar, tratar e devolver esse esgoto ao meio ambiente de forma adequada. Isso também é promover saúde”, destacou.

Ao falar sobre o futuro, Ramon fez questão de reforçar que, embora Alagoinhas seja privilegiada pela disponibilidade hídrica, o uso consciente da água continua sendo indispensável.

“A preocupação com o desperdício é mundial. Ter água em abundância não significa que podemos utilizá-la sem responsabilidade. Precisamos preservar hoje para garantir esse patrimônio às próximas gerações”, observou.

Servidor do SAAE desde 2008, Ramon afirmou que enxerga a autarquia como uma das maiores riquezas do município por cuidar justamente do recurso que tornou Alagoinhas conhecida em todo o país.

“O SAAE de Alagoinhas, hoje, eu costumo considerar, depois da população, a nossa maior riqueza. Porque cuidamos do bem mais precioso que evidencia a nossa cidade, inclusive para o mundo, que é a água. Cada pessoa que abre uma torneira em casa e recebe água está recebendo também um pouco do trabalho de cada servidor que dedica seus dias para que esse serviço aconteça. Servir à população e cuidar desse patrimônio é motivo de muito orgulho para mim”, declarou.

Mais do que um recurso essencial à vida, a água representa parte da história, do desenvolvimento e da identidade de Alagoinhas. Preservar esse patrimônio significa garantir qualidade de vida para a população, fortalecer o desenvolvimento do município e assegurar que uma de suas maiores riquezas continue beneficiando as futuras gerações.

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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