Alagoinhas é desenvolvimento: Grupo Petrópolis transforma potencial em crescimento econômico

Ao longo das últimas décadas, Alagoinhas consolidou um novo capítulo de sua história econômica. Se a tradição agrícola ajudou a construir a identidade do município, a industrialização ampliou horizontes, gerou oportunidades e transformou a cidade em um dos principais polos produtivos do Nordeste. Como parte das comemorações pelos 173 anos de emancipação política de Alagoinhas, a Câmara Municipal apresenta a unidade do Grupo Petrópolis, exemplo de como recursos naturais, tecnologia e pessoas contribuem para o desenvolvimento do município.

Na unidade instalada em Alagoinhas, Rodrigo Dias, coordenador administrativo, apresentou a estrutura da fábrica e explicou como a operação evoluiu desde sua inauguração, em 2013. Enquanto percorria os diferentes setores da empresa, mostrou os tanques de maturação que marcam a paisagem industrial da unidade e refletem a dimensão da operação.

“Quando cheguei, a fábrica estava iniciando o processo de ampliação. Na época tínhamos duas linhas de produção. Hoje são seis: duas de garrafa, duas de lata, uma de chope e uma de refrigerante”, relembrou.

A ampliação acompanhou o crescimento da unidade, que hoje abastece os mercados da Bahia, Sergipe e parte do Maranhão. Em diversos períodos, a fábrica de Alagoinhas lidera o volume de produção entre as unidades do Grupo Petrópolis no Brasil, consolidando-se como uma das mais importantes operações da empresa.

Antes de apresentar os processos industriais e a capacidade produtiva da fábrica, Rodrigo fez questão de destacar o que considera um dos maiores diferenciais da unidade: a qualidade da água encontrada em Alagoinhas. Segundo ele, toda a produção utiliza água captada em poços profundos, com mais de 300 metros, característica que garante um processo natural de filtragem realizado pelo próprio solo.

“O melhor filtro natural é a terra. Não existe tecnologia que consiga reproduzir esse processo com a mesma eficiência. A água percorre um longo caminho até chegar aos nossos poços e isso faz toda a diferença na qualidade do produto”, afirmou.

A qualidade da água é, inclusive, um dos atributos destacados pelo Grupo Petrópolis na apresentação de suas marcas ao consumidor. Em Alagoinhas, esse patrimônio natural tornou-se um importante diferencial competitivo para a indústria, contribuindo para consolidar a cidade como referência na produção de bebidas.

O percurso seguiu para o setor conhecido internamente como a “cozinha da cerveja”, onde tem início o processo produtivo. É ali que água e malte são misturados para transformar o amido presente no cereal em açúcar. Em seguida, o mosto recebe o lúpulo, ingrediente responsável por conferir aroma, amargor e contribuir para a conservação da bebida.

Durante a apresentação, Rodrigo compartilhou uma curiosidade que costuma surpreender quem conhece a fábrica pela primeira vez.

“Muita gente imagina que o álcool é adicionado à cerveja, mas isso não acontece. Ele é produzido naturalmente durante a fermentação, quando o fermento transforma o açúcar em álcool e gás carbônico”, explicou.

Outro aspecto destacado foi o compromisso com a sustentabilidade. O bagaço do malte e a levedura retirados durante a produção são reaproveitados e destinados à alimentação animal, evitando desperdícios e dando uma nova finalidade aos resíduos do processo industrial.

“Aqui trabalhamos com o conceito de resíduo zero. O que sobra da produção é reaproveitado e destinado à alimentação animal”, destacou.

Na área de envase, a dimensão tecnológica da fábrica revela a complexidade da operação. Garrafas retornáveis chegam diariamente vindas do mercado e passam por uma sequência rigorosa de inspeções antes de retornarem à linha de produção. Segundo Rodrigo, não é raro encontrar objetos inusitados dentro dos recipientes devolvidos pelos consumidores, o que reforça a importância dos sistemas automatizados de inspeção e higienização.

Depois da triagem inicial, as garrafas seguem para diferentes etapas de lavagem e passam por equipamentos capazes de identificar automaticamente qualquer imperfeição antes de seguirem para o envase.

“Se houver qualquer irregularidade — seja uma trinca, sujeira, tampa ou até uma garrafa de outro fabricante — ela é retirada automaticamente da linha. O objetivo é garantir que apenas recipientes em perfeitas condições sigam para o envase”, ressaltou.

Após receber a bebida, cada garrafa passa pela pasteurização, etapa responsável por ampliar sua vida útil, além de novas inspeções eletrônicas, rotulagem, embalagem e rastreabilidade. Durante toda a produção, amostras são retiradas periodicamente para análises laboratoriais que asseguram a manutenção dos padrões de qualidade estabelecidos pela empresa.

A velocidade das linhas de produção revela a dimensão da operação. Uma única linha de garrafas é capaz de envasar mais de 60 mil unidades por hora, enquanto as linhas de latas ultrapassam a marca de 120 mil unidades no mesmo período. Todo o processo é acompanhado em tempo real por operadores e sistemas automatizados.

Rodrigo explicou que a unidade opera de forma contínua, mobilizando centenas de profissionais diariamente.

“Hoje temos, em média, cerca de 780 pessoas envolvidas diretamente na operação. Quando consideramos motoristas, carreteiros, equipes de manutenção e toda a cadeia logística, esse número chega a aproximadamente 1.200 pessoas”, informou.

Mais do que atender ao mercado regional, a unidade de Alagoinhas tornou-se uma referência dentro do próprio Grupo Petrópolis. Embora exista uma fábrica fisicamente maior em Uberaba (MG), a operação baiana frequentemente lidera o volume de produção entre as unidades da empresa.

“Dentro do Grupo Petrópolis, a unidade de Alagoinhas normalmente ocupa o primeiro ou o segundo lugar em volume de produção. A Bahia consome muito do que produzimos aqui, e isso faz da nossa operação uma das mais importantes do grupo”, pontuou.

Ao falar sobre a importância da unidade para o município, Rodrigo destacou que a qualidade da água foi decisiva para a implantação da fábrica e continua sendo um dos fatores que sustentam seu crescimento. Segundo ele, a operação também contribui para a geração de empregos, movimenta a economia local e fortalece a cadeia produtiva da região.

“Alagoinhas reúne condições muito especiais, principalmente pela qualidade da água. Esse recurso natural foi fundamental para o desenvolvimento da nossa unidade e continua sendo um dos diferenciais da produção. Ao longo dos anos, crescemos junto com a cidade e temos orgulho de contribuir para o desenvolvimento econômico do município”, declarou.

A presença do Grupo Petrópolis em Alagoinhas demonstra como recursos naturais, investimento, tecnologia e qualificação profissional podem impulsionar o desenvolvimento econômico. Mais do que uma das principais unidades industriais da empresa no país, a fábrica consolidou-se como um importante vetor de geração de emprego, renda e oportunidades, reforçando o papel de Alagoinhas como um dos principais polos industriais da Bahia.

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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