Muito antes de Alagoinhas consolidar sua vocação industrial, o município passou a integrar um dos capítulos mais importantes da história energética da Bahia. Com a descoberta do Campo de Buracica, um dos mais tradicionais campos terrestres de petróleo do estado, a cidade passou a integrar uma atividade estratégica para o Brasil que, há décadas, gera empregos, movimenta a economia e impulsiona o desenvolvimento regional. Buracica continua desempenhando um papel importante na cadeia petrolífera baiana e reafirma a vocação de Alagoinhas para integrar diferentes ciclos de crescimento econômico. Como parte das comemorações pelos 173 anos de emancipação política de Alagoinhas, a Câmara Municipal apresenta o Campo de Buracica, onde tecnologia, inovação e conhecimento sustentam uma atividade essencial para o país.
No Campo de Buracica, Carlos Henrique, diretor executivo da New Petroleum, apresentou a estrutura da operação e destacou a importância da atividade petrolífera para Alagoinhas. Segundo ele, embora grande parte do trabalho aconteça distante do olhar da população, seus impactos são percebidos diariamente na economia local, na geração de empregos e na arrecadação do município.
“Muitas pessoas passam pela rodovia e não imaginam a dimensão do que acontece aqui dentro. O Campo de Buracica movimenta uma cadeia produtiva muito ampla, gera oportunidades para profissionais da região, fortalece o comércio local e contribui diretamente para o desenvolvimento de Alagoinhas. É uma atividade que faz parte da história e continua ajudando a construir o futuro do município”, afirmou.

Em seguida, Natanael Cesar Vieira, diretor de comunicação da New Petroleum, explicou de forma didática o caminho percorrido pelo petróleo desde sua descoberta até chegar às refinarias.
Segundo Natanael, tudo começa muito antes da produção. Estudos geológicos e levantamentos sísmicos identificam áreas com potencial para armazenar petróleo. Somente após a perfuração dos primeiros poços é possível confirmar a existência do reservatório e iniciar a fase de exploração.
“Primeiro acontece a pesquisa geológica. Depois vem a perfuração, que confirma a existência do reservatório. A partir daí iniciamos a exploração, equipamos o poço e utilizamos métodos de elevação para que o petróleo consiga chegar até as estações de processamento”, explicou.
Na Estação de Buracica, o petróleo chega misturado à água e ao gás natural. A função da unidade é realizar a separação desses três elementos por meio de processos físicos, sem alterar suas características químicas. Nessa etapa, vasos separadores trifásicos isolam cada componente para que receba a destinação adequada.
Após o tratamento, a água retorna ao próprio reservatório por meio do processo de reinjeção, contribuindo para manter a pressão natural do campo e prolongar sua capacidade produtiva. O gás também é reaproveitado em diferentes etapas da operação, enquanto o petróleo segue por oleodutos até os parques de armazenamento e, posteriormente, para as refinarias.
“Recebemos essa emulsão diretamente dos poços. Aqui fazemos a separação entre óleo, água e gás. O gás é tratado e reinjetado nos reservatórios. A água também passa por tratamento e retorna ao subsolo para manter a pressão do reservatório. Já o óleo segue para armazenamento e, posteriormente, é enviado por oleodutos até a refinaria”, detalhou.

Todo esse processo acontece de forma ininterrupta e envolve uma estrutura muito maior do que normalmente se imagina. Além dos operadores responsáveis pelas estações, atuam diariamente profissionais das áreas de mecânica, elétrica, instrumentação, manutenção, segurança do trabalho, meio ambiente, construção, inspeção, automação, limpeza industrial e monitoramento dos poços, formando uma cadeia altamente especializada.
“É uma operação muito maior do que as pessoas imaginam. Existe toda uma cadeia de profissionais para que o petróleo saia do reservatório, seja tratado e chegue até a refinaria com segurança e dentro dos padrões exigidos”, afirmou Carlos Henrique.
Muito além dos combustíveis, Natanael lembrou que o petróleo está presente em milhares de produtos utilizados diariamente pela população, como plásticos, medicamentos, cosméticos, fertilizantes, tecidos sintéticos, tintas, lubrificantes e diversos materiais empregados pela indústria.
“Quando falamos em petróleo, muitas pessoas pensam apenas em gasolina ou diesel. Mas ele está presente em praticamente todos os setores da economia e faz parte do nosso cotidiano de maneiras que muita gente nem imagina”, explicou.
Grande parte da mão de obra empregada na operação é formada por profissionais de Alagoinhas. Instituições como o Senai oferecem cursos técnicos que servem como porta de entrada para o setor, mas a especialização continua dentro das próprias empresas, onde os novos colaboradores passam por meses de treinamento antes de assumirem suas funções.
“A pessoa pode chegar com formação técnica, mas ainda passa por um período de treinamento dentro da empresa. Dependendo da atividade, essa preparação pode durar três meses ou até nove meses. É um trabalho que exige responsabilidade e conhecimento específico”, ressaltou Natanael.

Além da atuação na operação petrolífera, Natanael também desenvolve um trabalho de divulgação e valorização do setor por meio da página Guerreiros do Petróleo, criada durante a pandemia para compartilhar conhecimento técnico e aproximar estudantes e profissionais da indústria. O projeto, que hoje reúne mais de 20 mil seguidores nas redes sociais, tornou-se um espaço para divulgação de oportunidades, troca de experiências e incentivo à qualificação profissional.
“A ideia surgiu durante a pandemia, quando percebemos que muitas pessoas tinham curiosidade sobre o setor, mas pouco acesso à informação. Hoje conseguimos levar conhecimento, divulgar oportunidades e mostrar que existe um mercado promissor para quem deseja seguir carreira na indústria do petróleo”, explicou.
Apesar das oportunidades oferecidas pela indústria, o setor enfrenta um desafio comum a diversos segmentos: atrair novos profissionais. Carlos Henrique observou que Alagoinhas possui hoje um mercado bastante competitivo, com oportunidades na indústria de bebidas, na logística e em outros segmentos, o que faz muitos jovens direcionarem sua formação para essas áreas.
“Quando fiz meu curso técnico, havia quarenta alunos na turma. Eu era o único que queria trabalhar na indústria do petróleo. Os demais buscavam oportunidades na cervejaria, na logística ou em outras áreas. Precisamos mostrar aos jovens que o petróleo continua oferecendo excelentes oportunidades de crescimento profissional”, observou.
Além dos desafios, o setor também enxerga novas perspectivas para a região. Carlos Henrique revelou que a chegada da Mandacaru Energia, prevista para assumir a operação de campos próximos a Alagoinhas, deverá representar novos investimentos, fortalecer a atividade petrolífera e ampliar as oportunidades de emprego.
“A empresa já informou que pretende investir fortemente na região e priorizar a contratação de mão de obra local. Isso significa mais oportunidades para quem busca qualificação e deseja construir uma carreira na indústria do petróleo”, destacou.

Outro tema abordado foi a transição energética. Questionado sobre o crescimento das chamadas energias renováveis, Natanael explicou que a indústria do petróleo acompanha essa transformação e vem incorporando novas tecnologias às suas operações.
Segundo ele, empresas do setor já investem em biodiesel, utilizam veículos elétricos em parte de suas operações, empregam energia solar para alimentar equipamentos de automação e acompanham projetos voltados à captura e ao armazenamento de carbono.
“Hoje já não falamos apenas em petróleo. Os principais eventos passaram a reunir petróleo, gás e energia. A indústria acompanha essa evolução e investe em soluções sustentáveis. As energias renováveis vieram para complementar a matriz energética, mas o petróleo continuará sendo indispensável por muitas décadas”, explicou.
Natanael lembrou ainda que a indústria enfrentou momentos desafiadores, como a queda no preço internacional do barril durante a pandemia, mas destacou que os campos terrestres permaneceram produzindo para preservar empregos, garantir o abastecimento e manter ativa uma cadeia produtiva essencial para a economia.
O reconhecimento da operação desenvolvida em Buracica também ultrapassa os limites do município. Carlos Henrique e Natanael participam frequentemente de encontros técnicos e eventos nacionais do setor, levando o nome de Alagoinhas para alguns dos principais fóruns da indústria petrolífera brasileira.
“Sempre fazemos questão de dizer que somos de Alagoinhas. Em todos os eventos mostramos o potencial da nossa cidade e percebemos o interesse de empresas e profissionais em conhecer a região. Isso fortalece o setor do petróleo e projeta o nome de Alagoinhas no cenário nacional”, destacou Carlos Henrique.
Ao falar sobre a importância de Buracica para Alagoinhas, Carlos Henrique ressaltou que os benefícios ultrapassam os limites da própria operação. A atividade movimenta hotéis, restaurantes, empresas prestadoras de serviço, transportadoras, fornecedores e gera arrecadação para o município por meio dos royalties da produção.
“O petróleo move a economia. Quando produzimos mais, o município arrecada mais. Esses recursos retornam para a população por meio de investimentos em infraestrutura, educação, saúde e serviços públicos. Além disso, fortalecemos o comércio, geramos empregos e movimentamos toda a economia local”, declarou.
Natanael acrescentou que esse impacto também chega diretamente às comunidades próximas ao Campo de Buracica, onde restaurantes, pequenos comércios e prestadores de serviço são beneficiados pela presença constante dos trabalhadores da indústria.
“O desenvolvimento começa aqui nas comunidades de Buracica e se espalha por toda Alagoinhas. São empregos, renda, comércio aquecido e oportunidades para quem mora na região. O petróleo move o mundo. Se ele movimenta a economia mundial, imagine a importância que tem para Alagoinhas”, afirmou.

Mais do que uma atividade econômica, a produção de petróleo em Buracica representa inovação, conhecimento, qualificação profissional e oportunidades para centenas de trabalhadores. A operação desenvolvida em Alagoinhas demonstra como um recurso natural pode contribuir para o fortalecimento da economia regional e continuar escrevendo um capítulo importante da história do município.
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz