Câmara manifesta “Tolerância Zero” após denúncia de assédio e cobra melhorias na rede de proteção à mulher

A denúncia de assédio contra uma assessora parlamentar, ocorrido dentro das dependências do Legislativo, mobilizou o plenário na sessão de ontem (16).

A vereadora Jaldice Nunes iniciou seu pronunciamento informando que havia acabado de registrar um boletim de ocorrência. “É inadmissível, numa casa – a Casa da cidadania, a Casa do povo – ainda ter atitudes dessas”, afirmou, relatando que o episódio ocorreu na última terça-feira (14). A parlamentar anunciou a instalação de câmeras em seu gabinete e defendeu um controle mais rígido de acesso: “A gente precisa ter um sistema de segurança nesta Casa”, afirmou.

Em resposta, o vereador Caio Ramos, em nome do presidente Cleto da Banana, assegurou que a gestão já estava agindo. “Todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas no sentido de proteger a vítima e responsabilizar quem quer que seja pela agressão”, declarou. O vereador Luciano Almeida reforçou o coro de repúdio: “Tolerância zero. Esse profissional não deve mais fazer parte dos quadros aqui da nossa Câmara”.

DEAM

Além do episódio, Jaldice Nunes criticou duramente as condições da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Alagoinhas. Segundo a vereadora, o local encontra-se com “o mato tomando conta” e sem iluminação adequada. Ela também cobrou o funcionamento 24 horas da unidade: “As mulheres, quando são violentadas, na sua maioria, são à noite ou nos finais de semana, e a DEAM continua fechada”, pontuou.

A vereadora Juci Cardoso endossou a gravidade do cenário, classificando a defesa dos direitos das mulheres como “inegociável”. Juci lembrou que a importunação sexual é crime e desabafou sobre a dificuldade da atuação parlamentar feminina: “O corpo da mulher não é público. Homem nenhum tem o direito de violá-lo”. O vereador Thor de Ninha também se solidarizou, enfatizando a responsabilidade masculina no combate ao feminicídio: “Nós, homens, devemos assumir o compromisso de proteger. Violência contra a mulher, tolerância zero”.

Educação

Outro ponto discutido em plenário foi o déficit de vagas em creches no município. Jaldice relatou o caso dramático de uma mãe de gêmeos que conseguiu vaga para apenas um dos filhos em uma unidade distante de sua residência. “Como é que ela vai escolher qual filho vai para a creche?”, questionou, pedindo sensibilidade à Secretaria de Educação.

Sobre o tema, Juci Cardoso trouxe uma perspectiva técnica e de valorização profissional. Embora defenda a ampliação do acesso, a vereadora alertou para o risco de sobrecarga dos educadores: “Não podemos desumanizar os trabalhadores da educação. Se a creche atende 20 e eu coloco 21, a sobrecarga é para o professor, que já está adoecendo sem a qualificação e o tempo necessários”.

Zeladoria

Ao final, a manutenção da cidade também foi pauta. A Avenida Murilo Cavalcante foi citada como exemplo de abandono. “A cidade está tomada pelo mato, está um caos em relação ao aspecto de abandono”, concluiu Jaldice Nunes, cobrando a limpeza das principais entradas do município.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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