A Câmara Municipal de Alagoinhas realizou, na manhã de ontem (24), uma audiência pública voltada a discutir regulamentação da carga e descarga de mercadorias e o transporte de produtos perigosos no município. O evento, de autoria da vereadora Juci Cardoso, reuniu representantes do poder público, forças de segurança, empresários e sociedade civil, com o objetivo de construir soluções conjuntas que garantam segurança e organização urbana.

O secretário municipal de Mobilidade e Ordem Pública, Hilton Ribeiro, destacou a necessidade de um código urbanístico mais amplo que contemple normas específicas para carga e descarga. “É fundamental que Alagoinhas avance na regulamentação local, estabelecendo critérios que aliem crescimento da cidade e segurança da população”, afirmou.

Pedro Sobral, superintendente municipal de Trânsito, chamou atenção para os impactos causados pelo congestionamento em áreas centrais. Segundo ele, a falta de regras claras para carga e descarga compromete a mobilidade urbana. “Além da fiscalização, precisamos investir em educação no trânsito, conscientizando motoristas e comerciantes sobre a importância do cumprimento das normas”, disse.

Representando o 19º Batalhão de Bombeiros Militares, o Tenente Rosinaldo Correia e o Soldado Silas Cristo alertaram para os riscos associados ao transporte de produtos perigosos. “É preciso que o município estabeleça rotas seguras e horários específicos, além de planos de ação mútuos entre os órgãos de segurança. Não podemos esperar o acidente acontecer para agir”, afirmou o tenente.

Já o Major Júlio Mendes, do 4º Batalhão de Polícia Militar, reforçou que os congestionamentos gerados pelo transporte irregular impactam diretamente na segurança pública. “Quando as vias ficam travadas, o atendimento das ocorrências policiais é comprometido. Isso é um problema que ultrapassa a mobilidade e chega à esfera da segurança da população”, destacou.

Em nome do setor empresarial, Yure Almeida defendeu regras que garantam concorrência leal e coíbam práticas ilegais. “O que pedimos é que todos cumpram as mesmas normas, porque quando alguns descumprem, além de prejudicar a mobilidade, criam uma concorrência desleal com quem segue as regras”, pontuou.

O seminário ainda contou com a palestra da engenheira e gerente de projetos da Superintendência de Trânsito de Salvador (TranSalvador), Suraia Lago, compartilhou a experiência da capital baiana. “Em Salvador, cargas perigosas só circulam com batedores e em horários previamente definidos. Isso garante segurança e organização. É um modelo que pode inspirar Alagoinhas”, explicou.

Participação
A partir da abertura à participação da população, Marinalva Santos — professora autônoma —relatou os transtornos vividos por moradores em bairros residenciais. “Não temos mais sossego. Caminhões passam a qualquer hora, quebram calçadas e colocam em risco quem caminha pela rua”, disse. Já Aldemir Santana, profissional de emergência industriais, destacou a urgência de medidas preventivas. “Não podemos pensar só em medidas corretivas. É preciso planejar, ter protocolos, porque quando acontece uma tragédia todos são afetados”, alertou.
Entre os parlamentares presentes, o vereador Luciano Almeida ressaltou que o crescimento de Alagoinhas precisa vir acompanhado de planejamento urbano. “Alagoinhas cresceu, mas não se desenvolveu de forma ordenada. Precisamos regulamentar a carga e descarga e organizar melhor a cidade”, afirmou.
O vereador Thor de Ninha parabenizou a iniciativa e chamou atenção para os impactos que a desorganização provoca também nos bairros. “As periferias muitas vezes ficam sem a atenção devida e os acidentes acontecem em larga escala. É preciso estabelecer critérios e horários para carga e descarga em toda a cidade”, defendeu.
Em seguida, o vereador José Edésio lembrou episódios trágicos do passado e reforçou a necessidade de uma comissão integrada. “Já melhoramos muito, mas precisamos melhorar mais. Temos que discutir também que tipo de carga está entrando em nossa cidade. Não é só poluente ou combustível: temos que ter atenção ao transporte de drogas e armas. Uma comissão com Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e a Superintendência Municipal de Trânsito pode ajudar muito nesse processo”, declarou.
Nos encaminhamentos, a vereadora Juci Cardoso sugeriu a criação de uma comissão de trabalho conjunta entre a Secretaria de Mobilidade e Ordem Pública a SMT, com participação de diferentes órgãos via portaria, além da formalização de um termo de cooperação técnica com o Corpo de Bombeiros e a TranSalvador, para garantir o compartilhamento de experiências e suporte técnico. Também defendeu o avanço na construção de um plano de ação mútuo e de um diagnóstico detalhado sobre a movimentação de cargas e produtos perigosos na cidade. “A nossa casa precisa ter ordem. Estamos tratando de um assunto muito sério, que tem a ver com a vida das pessoas, mas também com o desenvolvimento econômico de forma sustentável”, afirmou.

Por fim, a parlamentar reforçou que a regulamentação não busca proibir atividades, mas organizar a cidade de forma planejada e responsável, exigindo muitas vezes decisões estruturantes e difíceis. “É preciso coragem para desagradar quando necessário, porque a cidade não pode continuar na desorganização em que se encontra hoje”, disse. E, reconhecendo o empenho dos servidores da SMT, pediu aplausos ao plenário em homenagem à equipe. “Eu questiono e critico com responsabilidade, mas também faço questão de reconhecer avanços. O serviço público funcionando é motivo de orgulho para todos nós”, concluiu.
Para assistir a sessão na íntegra, clique no link: TV Câmara Alagoinhas
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Foto – Jhô Paz