Câmara Municipal realiza audiência pública sobre novos caminhos para a fisioterapia no SUS

Na noite de ontem (27), a Câmara Municipal realizou audiência pública dedicada à fisioterapia, com o tema “Novos caminhos e possibilidades para transformar o cuidado do SUS”. Em sua segunda edição, a iniciativa, promovida pelos mandatos do vereador Cláudio Abiúde e da vereadora Juci Cardoso, reuniu representantes de instituições de saúde, fisioterapeutas e estudantes para discutir a ampliação do acesso aos serviços, a qualificação profissional e novas possibilidades de atuação da fisioterapia na rede pública de saúde.

Na abertura, o vereador Cláudio Abiúde destacou a importância da fisioterapia na recuperação da autonomia e da qualidade de vida dos pacientes. O parlamentar compartilhou experiências pessoais relacionadas ao tratamento de hérnias de disco e à reabilitação após um acidente de motocicleta, ressaltando o papel dos profissionais em sua recuperação.

“A fisioterapia contribui para prevenir problemas, recuperar movimentos e devolver a independência ao indivíduo”, afirmou. Em seguida, reforçou a necessidade de ampliar o acesso ao atendimento: “A saúde deve chegar à vida das pessoas no momento em que elas realmente precisam.”

A coordenadora do Centro Especializado em Reabilitação (CER III), Iramar Bacelar, parabenizou a iniciativa e destacou a importância da valorização da fisioterapia como parte essencial do cuidado multiprofissional. Segundo ela, o fortalecimento da profissão também representa avanços na qualidade dos serviços prestados à população.

“Integramos uma equipe multidisciplinar e desempenhamos um papel fundamental na prevenção, na reabilitação e nas diferentes necessidades de cuidado dos usuários”, ressaltou.

A coordenadora do Serviço de Reabilitação do Hospital Estadual do Litoral Norte, Graziela Faro, destacou a relevância do encontro como espaço de diálogo sobre o fortalecimento da assistência à saúde. “É gratificante participar deste momento, em que podemos discutir melhorias para o SUS”, declarou.

Na sequência, a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Daniela Barbosa, enfatizou o papel do controle social na fiscalização e no aprimoramento dos serviços públicos, defendendo uma assistência integrada e a participação coletiva na construção de propostas para o município.

“A saúde não se faz por partes nem por setores. Ela é integral, e a fisioterapia compõe o SUS para que tenhamos saúde e bem-estar completos”, afirmou.

Palestra

O fisioterapeuta Rafael Araújo, conselheiro e delegado do CREFITO-7, apresentou uma exposição sobre a fisioterapia de primeiro contato, modelo que permite ao usuário buscar diretamente a avaliação fisioterapêutica, sem a obrigatoriedade de encaminhamento prévio de outro profissional de saúde.

Com base em estudos científicos e experiências internacionais, Rafael abordou os benefícios que esse modelo pode proporcionar, como a redução do tempo de espera, a diminuição de custos e a ampliação da capacidade de resolução das demandas na Atenção Primária à Saúde.

“Atuar em primeiro contato não significa trabalhar de forma isolada. Pelo contrário, significa exercer uma atuação pactuada, responsável e compartilhada com toda a equipe”, explicou.

O profissional também destacou a necessidade de conhecer a realidade da rede municipal antes da implantação de novas estratégias, propondo a realização de um diagnóstico situacional, a identificação dos principais obstáculos ao atendimento, a definição de indicadores e a criação de um grupo de trabalho para discutir um possível projeto-piloto em Alagoinhas.

Após a apresentação, Daniela Barbosa sugeriu que a proposta fosse encaminhada ao Conselho Municipal de Saúde, para que pudesse ser discutida em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde, especialmente quanto à atuação dos fisioterapeutas nas equipes multiprofissionais da Atenção Primária, conhecidas como eMulti.

“Proponho que esse trabalho seja levado ao Conselho Municipal de Saúde, para que possamos discutir, junto à Secretaria Municipal de Saúde, a construção de novos fluxos de atendimento”, afirmou.

Iramar Bacelar comentou a apresentação e reforçou a importância da prática profissional fundamentada em evidências científicas, associada à qualificação continuada e à compreensão integral das necessidades dos pacientes.

“A fisioterapia não pode se basear em suposições. Para desenvolver uma proposta dessa natureza, precisamos nos fundamentar em evidências científicas”, destacou, acrescentando que os profissionais devem considerar os aspectos físicos, sociais e emocionais que interferem na saúde e na funcionalidade dos indivíduos.

Durante a participação do público, a fisioterapeuta Cinthia Sales de Araújo, que atua no CER III, apresentou dificuldades relacionadas à continuidade da assistência após a alta dos pacientes dos serviços especializados. Segundo ela, a contrarreferência para a rede básica nem sempre resulta na manutenção do acompanhamento fisioterapêutico, especialmente no caso de pacientes com condições neurológicas.

“Encaminhamos os pacientes para a rede básica, mas, muitas vezes, a continuidade do atendimento fisioterapêutico não acontece, e eles ficam desassistidos”, relatou.

Em resposta, Rafael Araújo destacou a importância de fortalecer a integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde, garantindo que os pacientes continuem recebendo suporte após a reabilitação especializada.

“Não basta termos serviços especializados de referência se, após a alta, o paciente não consegue permanecer ativo e participar da sociedade”, afirmou.

Iramar Bacelar complementou a discussão ao defender a superação de barreiras e preconceitos relacionados às pessoas com deficiência, ressaltando a responsabilidade dos profissionais de saúde em promover autonomia e participação social.

“Todas as pessoas têm potencialidades. Uma condição de saúde ou uma limitação funcional não deve impedir sua participação na sociedade”, pontuou.

O vereador Thor de Ninha participou do debate e destacou a necessidade de financiamento adequado para a qualificação dos profissionais, além da importância de considerar o indivíduo de forma integral, conforme o modelo biopsicossocial de atenção à saúde.

“Precisamos compreender o indivíduo de forma integral. Para isso, todos os profissionais devem considerar as particularidades e necessidades de cada pessoa”, afirmou.

O parlamentar também questionou se a permanência do modelo biomédico estaria relacionada às estruturas de poder existentes entre as profissões da saúde. Em resposta, Rafael Araújo defendeu a construção de uma cultura de colaboração, na qual as diferentes categorias atuem de maneira integrada, respeitando suas competências e responsabilidades.

“Precisamos estabelecer uma cultura em que todos reconheçam seu papel e sua relevância dentro de um modelo de cuidado muito mais amplo”, explicou.

Outra participação foi a da estudante Clara Elis Andrade Santos, do quarto semestre de Fisioterapia da Faculdade Santo Antônio, que levantou questões relacionadas às dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência para acessar os serviços de fisioterapia, especialmente diante de barreiras físicas, sociais e de comunicação.

“Quais medidas podem ser adotadas para garantir que essas pessoas tenham acesso igualitário aos serviços de fisioterapia no SUS, considerando as barreiras físicas, sociais e de comunicação que ainda enfrentam?”, questionou.

Daniela Barbosa respondeu destacando a importância da assistência preventiva e da construção de mecanismos que permitam às pessoas com deficiência receber acompanhamento fisioterapêutico antes do surgimento de complicações. A presidente do Conselho Municipal de Saúde defendeu que essas demandas também sejam debatidas pelo colegiado.

“Essa questão precisa ser levada ao Conselho Municipal de Saúde, para que possamos discutir e construir um fluxo de atendimento que contemple essas necessidades”, afirmou.

Rafael Araújo complementou a resposta chamando a atenção para a necessidade de eliminar barreiras arquitetônicas e garantir condições adequadas de acessibilidade aos espaços públicos, de modo que as pessoas com deficiência possam exercer sua autonomia.

“Não se trata apenas de garantir a entrada no serviço, mas de assegurar o acesso físico e a autonomia para que cada pessoa possa chegar aos espaços que deseja frequentar”, destacou.

Ao final da audiência, o vereador Cláudio Abiúde reuniu as principais demandas apresentadas, entre elas a redução do tempo de espera, a ampliação do acesso à fisioterapia, o incentivo à capacitação profissional, a melhoria dos fluxos de referência e contrarreferência, a identificação das necessidades da rede municipal e a superação das barreiras arquitetônicas e atitudinais. O parlamentar também mencionou a ampliação dos serviços na policlínica e afirmou que encaminharia as propostas aos órgãos competentes.

Ao avaliar o encontro, Abiúde destacou que as discussões ultrapassaram suas expectativas iniciais e representaram um passo importante para o fortalecimento da fisioterapia no município.

“Saí de casa pensando que traria a vocês apenas a segunda edição da audiência sobre fisioterapia, uma iniciativa do meu mandato e da vereadora Juci Cardoso. No entanto, vejo aqui o nascimento de algo maior. Vejo, diante dos meus olhos, o início de uma revolução fisioterapêutica em nossa cidade e, por que não, em nosso território”, finalizou.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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