Câmara Municipal realiza audiência pública sobre valorização de músicos e transparência nos pagamentos

Na tarde de ontem (14), a Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Cláudio Abiúde, promoveu a audiência pública “Música, Trabalho e Transparência”, reunindo artistas, produtores culturais, representantes do poder público e vereadores para discutir valorização da classe artística, modelos de contratação e atrasos nos pagamentos. O encontro foi marcado por relatos de insatisfação e cobranças por mais organização, respeito e transparência nos processos.

Em seu discurso, o vereador Cláudio Abiude destacou sua trajetória na música e a importância de criar um espaço de escuta para a classe artística. “Esse é um momento de diálogo para tratar de valorização, respeito, formas de contratação e previsibilidade de pagamento para os artistas”, afirmou.

Representando a Associação Cultural de Empresários e Produtores, Neilton José dos Santos apontou falhas recorrentes na atuação de empresas contratadas pelo poder público, especialmente no que diz respeito ao atraso de pagamentos e ausência de contratos formais com artistas.

“Não é admissível o artista se apresentar e só receber meses depois. A empresa precisa garantir contrato e pagamento dentro do prazo”, declarou.

O presidente da Associação dos Músicos Profissionais de Alagoinhas, Karlinhos Zambê, reforçou que o problema é estrutural e se repete ao longo dos anos, com falhas na formalização e na transparência dos processos. “O que vemos não é um caso isolado, mas um modelo que se repete e precisa ser corrigido na sua estrutura”, pontuou.

Já o produtor cultural Vanderlei Lago destacou a desvalorização histórica da categoria, com cachês defasados e dificuldades crescentes para realização de eventos. “É inadmissível trabalhar hoje e receber quase um ano depois. Isso tem inviabilizado a cultura na cidade”, afirmou.

Impacto

Na participação do público, artistas relataram na prática os efeitos desses problemas. O MC Elimar Pereira, conhecido como MC Mamah, reforçou que muitos profissionais ainda aguardam pagamentos antigos. “Estamos trabalhando e esperando receber há muito tempo. Isso é um descaso com quem vive da cultura”, disse.

O cantor Gustavo Ribeiro lamentou a ausência de maior participação de representantes públicos e da própria classe artística no debate. “Esse era um momento importante para estarmos todos reunidos e buscando soluções concretas”, pontuou.

Já o produtor Alberto Souza questionou os critérios adotados tanto para pagamento quanto para fiscalização de eventos. “Precisamos entender como funciona esse processo e quais são os critérios adotados, porque hoje isso não está claro”, afirmou.

Na sequência, o músico Tonho Pé de Serra reforçou a necessidade de valorização financeira dos artistas, comparando os valores atuais com períodos anteriores. “O artista precisa ser valorizado com cachês justos e pagamento no tempo correto”, destacou.

A cantora e ativista cultural Laysa Correia relatou dificuldades, apontando a necessidade de mais apoio técnico e políticas públicas específicas. “A cultura precisa de estrutura, acompanhamento e políticas que realmente alcancem os artistas”, afirmou.

Diálogo

Representando a Secretaria de Cultura, Maria Tereza destacou a importância da participação da classe artística nos espaços institucionais e anunciou medidas voltadas à organização do setor, como o cadastro municipal de artistas.

“Sem participação e organização, não conseguimos construir políticas públicas eficazes para atender a todos”, afirmou.

O vereador Thor de Ninha, líder da bancada de situação, reconheceu os problemas e explicou as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, ressaltando o impacto do aumento de encargos sobre o orçamento.

“Não é justo que o artista espere meses para receber. Precisamos tratar isso como prioridade e buscar soluções viáveis”, declarou.

Retomando a discussão, Karlinhos Zambê defendeu que o foco não deve ser apenas nos atrasos pontuais, mas na reformulação do modelo de pagamento. “Se não mudarmos o modelo, o problema vai continuar se repetindo”, afirmou.

Neilton voltou a sugerir medidas mais firmes, como a criação de uma comissão para acompanhar contratos e exigir maior responsabilidade das empresas. “Precisamos garantir o mínimo: contrato, estrutura e respeito com os artistas”, disse.

Já o vereador Cláudio Abiude também apresentou a proposta de criação de um sistema de acompanhamento dos pagamentos, permitindo que artistas acompanhem o andamento dos processos.

“Um sistema simples pode dar mais transparência e permitir que cada artista saiba em que etapa está o seu pagamento”, explicou.

Na oportunidade, o vereador Luciano Almeida fez críticas à gestão municipal, destacando a ausência de representantes do Executivo na audiência e a recorrência dos atrasos.

“Não é falta de alerta. É falta de ação diante de um problema que já se arrasta há muito tempo”, afirmou.

Já o vereador Anderson Xará – que possui sua história atrelada à música – ressaltou a importância da união da classe artística e da participação ativa nos processos. “Sem organização e união, nenhuma mudança estrutural vai acontecer”, pontuou.

Encerrando a audiência, o vereador Cláudio Abiude reforçou o compromisso de levar as demandas apresentadas ao Executivo e buscar respostas concretas para a classe artística, com o apoio da base governista.

“Vamos encaminhar todas essas demandas junto ao governo municipal e cobrar soluções efetivas para a realidade que foi apresentada aqui”, concluiu.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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