Na noite de ontem (29), a Câmara Municipal realizou a Sessão Solene em homenagem ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, marcada pela entrega da Medalha Tereza de Benguela. A cerimônia, realizada por iniciativa dos mandatos da vereadora Juci Cardoso e do vereador Luciano Almeida, reconheceu mulheres negras que se destacam pela atuação profissional, cultural, social e comunitária no município.
Na abertura, o presidente da Câmara, Cleto da Banana, destacou a contribuição histórica das mulheres negras para a formação do Brasil e ressaltou que a homenagem também representa um compromisso com a igualdade de oportunidades, a valorização da diversidade e o combate às diferentes formas de discriminação. “As homenageadas desta noite representam o legado de mulheres que fazem da competência, da solidariedade, da dedicação e do compromisso com a comunidade instrumentos de transformação social”, afirmou.
O presidente lembrou a trajetória de Tereza de Benguela, liderança do Quilombo do Quariterê e referência da resistência negra no país. Segundo ele, a homenageada transformou coragem em liderança e deixou um exemplo que permanece vivo nas mulheres que rompem barreiras, ocupam espaços e inspiram novas gerações. “Ao entregar a Medalha Tereza de Benguela, prestamos tributo a uma das maiores referências da resistência negra em nosso país”, declarou.

Na sequência, o vereador Luciano Almeida ressaltou que a solenidade deveria ser marcada principalmente pela escuta e pelo protagonismo das mulheres. Durante a abertura, ele passou a condução dos trabalhos à vereadora Juci Cardoso, destacando o caráter simbólico daquele momento. “Este é o momento de vocês. É o momento da nossa escuta e da homenagem às mulheres”, afirmou.

Ao conduzir a sessão, a vereadora Juci Cardoso destacou que a homenagem buscou garantir reconhecimento e visibilidade ao papel desempenhado pelas mulheres negras na sociedade. Com o tema “Aqualtunes, Dandaras e Teresas: nosso reinado é ancestral e nossa voz ressoa liberdade”, a cerimônia exaltou a memória, a resistência e a contribuição das mulheres negras para a construção da cultura e da história local. “Hoje não reconhecemos apenas conquistas individuais, mas reafirmamos o nosso compromisso com a luta por igualdade e justiça presente no fazer de cada uma dessas mulheres”, declarou.
A parlamentar também ressaltou que a união entre as mulheres é fundamental para enfrentar as dores, as desigualdades e as tentativas de silenciamento ainda presentes na sociedade. “Nenhuma de nós vai aguentar sozinha. Uma chora, a outra enxuga; uma cai, a outra levanta. É preciso procurar as outras e permanecer juntas”, afirmou.

Representando o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher de Alagoinhas, Renata Fortaleza destacou que a homenagem também deveria ser compreendida como um chamado à participação, à organização e à continuidade da luta por direitos. Para ela, as mulheres precisam reconhecer que os espaços públicos e institucionais também lhes pertencem. “Não se trata somente de uma homenagem. É um convite para que cada mulher entenda que este lugar é seu e que precisa estar conosco nessa luta”, declarou.

Izabel Silva, representante do Conselho Municipal de Cultura, chamou atenção para as tentativas de apagamento enfrentadas pelas mulheres que atuam na cultura e na literatura. Em sua abordagem, relacionou a trajetória de Tereza de Benguela à atuação contemporânea das mulheres negras que transformam suas comunidades por meio da educação, da cultura e da participação política. “A força da mulher negra transforma a realidade por meio da coragem, da liderança e do compromisso com a sua comunidade”, afirmou.

Representando a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, Maria Tereza ressaltou que ancestralidade, memória e cultura são elementos fundamentais para a transformação social. Ela também defendeu que as reivindicações das mulheres sejam incorporadas de forma permanente às ações do poder público. “Que a nossa luta deixe de ser apenas luta e se transforme em política pública”, destacou.

A programação da Sessão Solene foi intercalada por apresentações culturais das artistas Thay Piazzi e Anny Rastelli, que, por meio da música, da poesia e da oralidade, abordaram temas como ancestralidade, identidade, autoestima, resistência, protagonismo feminino, combate à violência e valorização da mulher negra. As apresentações reforçaram a proposta da solenidade de celebrar a memória, a cultura e as contribuições das mulheres negras para a construção da sociedade.
A jovem Ana Beatriz também integrou a programação cultural com a declamação de um poema sobre identidade, diversidade e autoaceitação. Estudante da rede pública, ela é uma das autoras do livro “Jovens Florescendo na Literatura”, projeto de incentivo à leitura e à escrita desenvolvido com estudantes da escola pública local e que contou com o apoio do mandato da vereadora Juci Cardoso. Durante a sessão, a parlamentar destacou a importância de fomentar a literatura entre os jovens como instrumento de educação, valorização da cultura e transformação social.

Protagonismo
A palestrante magna, professora Railda Valverde, destacou a importância da memória das mulheres que abriram caminhos, enfrentaram violências e ajudaram a construir a cultura brasileira. Durante sua apresentação, defendeu o protagonismo feminino, a independência, a participação das mulheres na política e o apoio mútuo diante das dificuldades. “Hoje temos presente, passado e futuro reunidos para celebrar, honrar aquelas que vieram antes de nós e abrir caminhos para as novas gerações”, afirmou.

Juci Cardoso também ressaltou que a presença das homenageadas na Câmara representa o reconhecimento institucional de trajetórias muitas vezes marcadas pela invisibilidade e pela necessidade constante de superar obstáculos. “Aqui é a Casa das Leis, e ficará registrado nos anais da história que, neste dia, vocês estiveram aqui e foram reverenciadas e homenageadas como devem ser”, declarou.
A vereadora compartilhou ainda que as experiências das mulheres negras são frequentemente atravessadas por dores, questionamentos e dificuldades, mas reforçou a capacidade de resistência e reinvenção demonstrada ao longo da história. “Ser mulher negra é seguir, mesmo com dores. Nós somos imparáveis e vamos nos reinventando”, afirmou.
A vereadora Jaldice Nunes também saudou as participantes e destacou a representatividade exercida pelo mandato de Juci Cardoso. “A sua voz me representa. Hoje me senti muito pequena diante de tantas mulheres potentes”, declarou.

Antes da apresentação do grupo de samba de roda do Tombador, a vereadora Juci Cardoso reafirmou o papel da Câmara Municipal como espaço de reconhecimento, memória e valorização das mulheres negras que contribuem diariamente para o desenvolvimento de Alagoinhas. “Nenhuma mulher deve parar no meio do caminho. Precisamos seguir juntas, fortalecendo umas às outras e ocupando todos os espaços que também são nossos”, concluiu.
Durante a solenidade, foram homenageadas com a Medalha Tereza de Benguela: Foram homenageadas: Anna Beatriz de Jesus Santana, Caffé Pitta, Jocivania dos Santos Lima, Jussara Andrade Ornelas de Oliveira, Letícia Silva, Yasmim Vitória, Gesilda Apolónia dos Santos, Magnólia Conceição Nascimento Wallancuella, Kate Santos, Anny Rastelli, Juliane Costa Silva, Edilene Reis da Silva, Bruna Letícia, Claudineia de Jesus Santos da Paixão, Lore Silva, Gil Cardoso, Lucivânia Britgho, Nágela Nadjane Tavares Ramos de Santana, Eremita Borges de Freitas, Railda Valverde, Sheila Santos, Edlene dos Santos Pereira, Thay Piazzi, Sandra Leticia dos Santos – “Tia Sandra” e o samba de roda do Tombador e Farinhada de Alagoinhas.
Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz