Na manhã de ontem (23), a Câmara Municipal realizou audiência pública proposta pelo vereador Thor de Ninha para discutir o acolhimento, a voz e o protagonismo das famílias atípicas. O encontro reuniu representantes de instituições, profissionais, familiares e integrantes do Poder Público.
Na abertura da audiência, Thor de Ninha destacou a importância da escuta das famílias e defendeu que elas participem efetivamente da construção das políticas e das decisões relacionadas às pessoas com deficiência.
“Todas as experiências são fundamentais para que possamos construir um diagnóstico e, a partir dele, oferecer a resposta adequada. Não conseguimos construir um diagnóstico adequado se não houver uma escuta ativa, se não estivermos verdadeiramente abertos para ouvir as necessidades, os desafios e tudo aquilo que cada família enfrenta de forma individualizada”, afirmou.

Representando a Associação de Pais e Amigos do Autista de Alagoinhas (AMA), Mayara Pinto chamou atenção para a sobrecarga vivenciada principalmente pelas mães atípicas e defendeu políticas públicas direcionadas também à saúde e ao bem-estar de quem exerce o cuidado diariamente.
“É muito importante falar sobre políticas públicas voltadas ao cuidado de quem cuida. Na AMA, temos um projeto chamado ‘Mães que Inspiram’, que busca resgatar também a feminilidade e a identidade dessas mães, incentivando-as a praticar esportes e a cuidar da própria saúde”, afirmou.

A presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Alagoinhas, Jailda Argolo, destacou a necessidade de uma rede de apoio para as cuidadoras e abordou as dificuldades enfrentadas por muitas delas para acessar serviços de saúde e outras políticas públicas.
“Cuidar de quem cuida não é um gasto, é um investimento. Uma mãe cuidada cuida melhor, e uma família amparada não adoece junto”, afirmou.

A gerente de Políticas para Pessoas com Deficiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEDES), Diana de Jesus Ribeiro, falou sobre a necessidade de integração entre os serviços públicos e destacou ações voltadas à construção do Plano Municipal de Inclusão e Acessibilidade e de protocolos específicos de atendimento às pessoas com deficiência.
“Estamos vivendo um processo de desconstrução da exclusão para promover inclusão e acessibilidade, trazendo oportunidades de escuta. Estamos construindo e vamos chamar novamente as instituições para elaborar o nosso Plano Municipal de Inclusão e Acessibilidade”, declarou.

Representando a Secretaria Municipal de Educação, Domingas Pascoal apresentou ações desenvolvidas na rede municipal para a educação especial inclusiva, entre elas o Atendimento Educacional Especializado e o acompanhamento multidisciplinar dos estudantes.
“Uma política pública de inclusão é construída continuamente. Ela exige planejamento, investimento, formação, acompanhamento e, sobretudo, compromisso coletivo”, destacou.

Mãe atípica e neuropsicóloga, Luciana Santana compartilhou experiências vividas ao longo da trajetória com o filho e destacou a importância do acolhimento humanizado às famílias, ressaltando que mães e cuidadores também precisam receber atenção e apoio.
“Nós somos humanas e precisamos de um tratamento humanizado. Nós, nossos filhos, nossas famílias e a população em geral”, afirmou.

A doutora em Neurociência Fáhtima Azevedo abordou a sobrecarga das famílias atendidas na rede pública e apresentou a proposta de implantação de um Centro de Atendimento Multiprofissional e Promoção da Inclusão, com atuação integrada das áreas de saúde, educação e assistência social.
“Um espaço com diferentes saberes, mas com um único objetivo: cuidar de forma integral. A educação precisa cuidar, a saúde precisa cuidar e a assistência também precisa cuidar”, ressaltou.

Durante a participação do público, a assistente social Rita de Cássia Vieira apresentou à mesa a situação de uma criança de oito anos, matriculada na rede municipal, que não estava frequentando a escola, segundo o relato da família, pela ausência de profissional de apoio.
“Para onde encaminho essa mãe e essa família, considerando que, segundo o relato, a rede escolar não dispõe de profissional de apoio? Já estamos chegando ao mês de outubro”, questionou.

O vereador Cláudio Abiude parabenizou Thor de Ninha pela realização da audiência e ressaltou a importância da sensibilidade e da aproximação do Poder Público com as instituições e famílias que atuam na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
“O dinheiro e a estrutura são importantes, mas a boa vontade tem um valor muito maior. Que as pessoas se inspirem e tenham boa vontade para estar mais próximas de vocês”, afirmou.

Na sequência, Daniela Souza, conselheira fiscal da AMA, apresentou o trabalho desenvolvido pela instituição com mães atípicas, que inclui acompanhamento psicológico, nutricional e atividades físicas, e destacou a necessidade de apoio para a continuidade do projeto.
“É um projeto que existe na AMA desde 2024. Temos registrados os Cafés com Afeto e diversas outras atividades. Peço que vocês possam conhecer o nosso projeto e nos ajudar”, afirmou.

Ao encerrar a audiência, Thor de Ninha afirmou que as discussões precisam resultar em encaminhamentos concretos e ressaltou a necessidade de retorno às famílias e instituições sobre as propostas apresentadas.
“O principal encaminhamento desta audiência pública não está apenas no plano de ação nem na implantação do Centro de Atendimento Multiprofissional e de Promoção da Inclusão. Está também em receber o retorno. Precisamos, mais do que nunca, que a pauta das pessoas com deficiência não fique apenas no debate e na discussão, mas que efetivamente seja colocada na ordem do dia”, concluiu.
Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz