Câmara realiza sessão especial de abertura da Semana Municipal da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

Na manhã de ontem (24), a Câmara Municipal realizou a sessão especial de abertura da Semana Municipal da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, iniciativa do vereador Luciano Almeida. A programação reuniu representantes do poder público, pessoas com deficiência, familiares e profissionais para discutir inclusão, acessibilidade, garantia de direitos e ampliação das oportunidades no município.

Na abertura, o vereador Luciano Almeida destacou que a Semana Municipal surgiu da articulação entre entidades ligadas à causa e ressaltou que a mobilização busca dar visibilidade às necessidades das pessoas com deficiência em áreas como saúde, educação, mobilidade e acesso aos serviços essenciais. O parlamentar também defendeu que a garantia desses direitos esteja acima das diferenças políticas e partidárias.

“A causa da pessoa com deficiência não tem bandeira partidária. Ela está acima de governos, mandatos e partidos, e todos nós precisamos nos unir nessa direção”, declarou.

O vereador lembrou iniciativas do Legislativo voltadas às instituições e informou que, no ano passado, foi destinada uma emenda coletiva de R$ 250 mil para cada entidade com  objetivo de ampliar atendimentos, ações e programas. Também anunciou a destinação de R$ 50 mil em emenda para contribuir com a realização da semana no próximo ano e citou R$ 10 mil destinados à instalação de um abrigo de ônibus para atender a região da Pestalozzi.

“No ano passado, destinamos uma emenda coletiva no valor de R$ 250 mil para cada instituição com o objetivo de ampliar os atendimentos, as ações e os programas que beneficiam diretamente as pessoas atendidas. Essa Casa tem cumprido o seu papel”, afirmou Luciano Almeida.

Representando o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Jailda Argolo ressaltou o tema da mobilização: “Deficiência não define, oportunidade transforma. Inclua a nossa voz”. Para ela, a inclusão exige que as pessoas com deficiência, seus familiares e os profissionais envolvidos sejam ouvidos.

“Precisamos ouvir a voz das pessoas com deficiência, das famílias e dos profissionais. Ouvir para aprender, respeitar e construir juntos uma sociedade sem barreiras. Que esta semana não fale apenas sobre as pessoas com deficiência, mas também com elas”, declarou.

A secretária de Desenvolvimento Social, Lianne Carmo, destacou a participação conjunta de entidades, secretarias municipais e do Poder Legislativo. Segundo ela, a inclusão precisa estar acompanhada de dignidade, respeito e condições efetivas de participação na sociedade.

“Não basta incluir. É preciso garantir que essa inclusão seja digna, respeitosa e capaz de promover transformação por meio do esporte, da aprendizagem, do direito de ir e vir, da locomoção e do acesso aos espaços necessários às pessoas com deficiência”, afirmou.

O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Luciano Sérgio, falou sobre sua trajetória de atuação na área e defendeu que as discussões sejam transformadas em ações concretas. Ele citou o trabalho desenvolvido pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER III), que atende Alagoinhas e municípios da região, e afirmou estar disposto a discutir a implantação de uma nova unidade no planejamento orçamentário.

“Não basta o discurso. São necessárias ações afirmativas que façam com que a nossa voz e a nossa luta se transformem em prática”, ressaltou.

Na área da mobilidade, o secretário de Mobilidade e Ordem Pública, Hilton Ribeiro, afirmou que a pasta tem atuado em questões como a desobstrução de passeios e rampas e destacou os desafios para assegurar acessibilidade no espaço urbano. Ele também informou que estão sendo realizados estudos para implantar, o mais breve possível, uma linha de transporte coletivo para atender a Pestalozzi.

“A SEMORP está focada em um dos maiores desafios: garantir o direito de participação plena na vida em sociedade, com ações como a desobstrução de passeios e rampas e a defesa do interesse social”, afirmou.

O secretário de Cultura, Esporte e Turismo, João Henrique Paolilo, apresentou ações de inclusão desenvolvidas pela pasta. Entre elas, citou um projeto de iniciação esportiva em xadrez que atende 60 alunos da Pestalozzi, seis deles em turma avançada, e informou que a iniciativa deverá alcançar outras instituições. Também anunciou que 5% das vagas dos projetos do próximo edital da Política Nacional Aldir Blanc serão reservadas às pessoas com deficiência.

“Na Pestalozzi, temos hoje 60 alunos participando da iniciação esportiva em xadrez. Seis já estão na turma avançada, cada um respeitando sua especificidade, sua adaptação e seu próprio tempo”, destacou.

Representando a Secretaria Municipal de Educação, Cátia Aguiar ressaltou o trabalho da Equipe Multidisciplinar Especializada em Inclusão e reafirmou o compromisso da rede municipal com o acesso, a participação, a aprendizagem e a permanência dos estudantes.

“A inclusão não é apenas colocar todos no mesmo espaço. É garantir que cada pessoa seja acolhida e respeitada, tenha suas potencialidades reconhecidas e possa aprender e participar com dignidade”, afirmou.

Participação

A vereadora Jaldice Nunes chamou atenção para as necessidades das mães e cuidadoras de pessoas com deficiência. Ela defendeu a discussão de uma medida que possibilite acesso gratuito ao transporte coletivo em situações específicas nas quais essas cuidadoras precisem participar de cursos, terapias, oficinas e atividades de qualificação, mesmo sem estarem acompanhadas da pessoa com deficiência.

“É importante garantir que essas mães tenham acesso gratuito ao transporte quando, mesmo sem estarem acompanhadas da pessoa com deficiência, precisarem participar de atividades voltadas à empregabilidade e ao desenvolvimento pessoal”, defendeu.

O vereador Thor de Ninha ressaltou a importância de cuidar também das famílias e avaliou que a semana deve ser um período para reconhecer avanços, analisar o que ainda precisa ser conquistado e estabelecer novos desafios. Ao comentar as apresentações realizadas durante a sessão, destacou o papel da cultura e da arte na promoção da inclusão.

“Precisamos priorizar e valorizar a cultura e a arte, porque elas derrubam fronteiras, quebram cercas, derrubam muros e constroem pontes”, disse.

O vereador Cláudio Abiúde também reforçou que a atenção às pessoas com deficiência e aos seus cuidadores não pode ficar restrita à programação da semana. Para ele, a mobilização deve contribuir para manter a pauta presente durante todo o ano.

“O cuidado com as pessoas com deficiência, com seus pais e cuidadores não pode se limitar a esta semana. Essa atenção precisa ser constante e estar presente durante todo o ano”, afirmou.

Protagonismo

A sessão também abriu espaço para que pessoas com deficiência e representantes das entidades relatassem experiências, reivindicações e conquistas. Saulo dos Santos Araújo Telles, estudante da Escola Municipal Eraldo Tinoco de Melo, apresentou o poema “Diversidade” e, ao final, destacou a importância de enxergar possibilidades para além das dificuldades.

“Incluir não é apenas abrir uma porta. É estender a mão e enxergar possibilidades onde muitos veem apenas dificuldades”, declarou.

Representando a Associação da Pessoa com Deficiência de Alagoinhas e Adjacências, MC Mamah enfatizou a necessidade de continuidade na cobrança por direitos e políticas públicas e defendeu que a mobilização em torno da causa aconteça diariamente.

“Todos os dias precisamos lutar, buscar avanços e cobrar do Poder Público a garantia dos direitos das pessoas com deficiência”, declarou.

Domingas Pascoal, representante da comunidade de pessoas com albinismo, falou sobre acessibilidade, acolhimento e as limitações relacionadas, entre outros aspectos, à exposição ao sol e à deficiência visual. Ela também defendeu que a sociedade reconheça as capacidades das pessoas com deficiência.

“Muitas pessoas ainda não acreditam na capacidade das pessoas com deficiência. Mas por que enxergar a deficiência e não a eficiência?”, questionou.

Jeferson Marcos, representando a Pestalozzi, defendeu maior inclusão de crianças e adolescentes com deficiência e chamou atenção para a necessidade de ambientes educacionais preparados para recebê-los.

“Precisamos de inclusão. Muitas vezes, a pessoa com deficiência ainda é tratada de forma preconceituosa, mas somos seres humanos como todos os outros e temos o mesmo direito de participar da sociedade”, afirmou.

Representante da comunidade cega e com baixa visão de Alagoinhas, Luza Karla compartilhou sua trajetória pessoal, educacional e profissional, relatando os desafios enfrentados durante o processo de perda da visão e sua experiência no serviço público e nos espaços de participação social. Ao abordar as possibilidades das pessoas com deficiência, ressaltou a importância das oportunidades e do reconhecimento de suas capacidades.

“Eu dei certo, continuo dando certo, e outras pessoas também podem dar certo. E vão dar”, afirmou.

Ivonete Moita, representando a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), relatou as oportunidades que encontrou na instituição e mencionou sua participação em atividades de dança, capoeira, informática e música.

“Encontrei na APAE uma oportunidade que me fez feliz. Lá aprendi muita coisa, como dança, capoeira, informática e música”, contou.

Representando a AMA, Ualace Sales chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por adultos autistas no acesso aos serviços públicos de saúde. Diagnosticado com autismo aos 34 anos, ele defendeu a continuidade dos acompanhamentos médicos e terapêuticos na vida adulta e pediu apoio para a manutenção e ampliação dos serviços oferecidos pela instituição.

“Gostaria que as autoridades compreendessem que o autismo não desaparece quando chegamos à vida adulta e que precisamos da continuidade dos acompanhamentos médicos e terapêuticos”, afirmou.

Ariana Souza, representando a Associação dos Amigos dos Autistas de Alagoinhas (AADA), abordou as barreiras enfrentadas pelas pessoas autistas no ambiente de trabalho e destacou que adaptações necessárias à participação dessas pessoas não devem ser entendidas como privilégios, mas como medidas de acessibilidade. Servidora pública e mãe de uma criança autista, ela também ressaltou o papel das associações no acolhimento às famílias.

“A inclusão não é apenas permitir que a pessoa esteja no espaço. É garantir condições para que ela possa participar, se expressar e exercer os seus direitos”, finalizou.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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