Sessão da Câmara é marcada por denúncias de violência política e críticas à gestão municipal

A sessão ordinária desta terça-feira (17) na Câmara Municipal foi marcada por denúncias e críticas à administração do prefeito Gustavo Carmo. O vereador Luciano Almeida denunciou ser alvo de ataques e questionou a falta de transparência em gastos da prefeitura. A vereadora Juci Cardoso repudiou a crescente violência política de gênero e atos de misoginia na cidade, enquanto a vereadora Luma Menezes expôs incoerências da gestão e relatou episódios de desordem e intimidação que atingiram sua própria família.

O vereador Luciano Almeida abriu o debate relatando episódios ocorridos logo após o pleito eleitoral de 2024. Segundo o parlamentar, a vitória do atual prefeito foi “apequenada” por atos de desordem na porta da residência do ex-prefeito Paulo Cezar. “Houve arruaça, quebraram retrovisor de carro, chutaram portões, com a sogra dele dentro de casa, uma senhora de mais de 80 anos. Isso apequena a política”, afirmou Almeida.

Ele afirmou que é alvo de uma “enxurrada de fake news” e ataques pessoais. “Como não conseguem trazer nada concreto contra mim, partem para homofobia, vídeos, montagens e ataques preconceituosos. Tenho conhecimento de pessoas ligadas ao gabinete do prefeito que ligam para cidadãos para constrangê-los por comentários nas redes sociais”, disparou.

Em aparte, a vereadora Juci Cardoso reforçou a gravidade dos ataques sofridos pelo colega e ampliou o debate para a violência de gênero. “O que o senhor vem sofrendo é crime. São falas absurdas de cunho homofóbico e distorção da verdade. Mas existe também a violência política de gênero, que utiliza elementos misóginos para tentar desqualificar quem pensa diferente”, pontuou Juci, citando ataques recentes contra a radialista Patrícia França.

“O direito de discordar faz parte da democracia, mas o ataque pessoal não pode ser tolerado. Quando a gente normaliza isso, colocamos em risco as instituições”, completou.

A vereadora Luma Menezes também manifestou solidariedade às vítimas de ataques e trouxe à tona o que chamou de “inconsistências do tempo”. Ela relembrou que o atual gestor, que hoje critica métodos de oposição, já utilizou estratégias semelhantes no passado. “Esse mesmo gestor que hoje se queixa das críticas, em 2016 esteve ao lado dessa mesma pessoa [Tenóbio] para criticar adversários. A gente colhe o que planta”, afirmou Luma.

A parlamentar confirmou os relatos de Luciano Almeida sobre a desordem pós-eleitoral, revelando que sua própria família, que reside próxima ao ex-prefeito, foi atingida. “Chutaram o portão da casa dos meus pais. Tinha criança, tinha idoso. Como cobrar respeito hoje se, no momento de dar o exemplo, a postura foi inadequada?”, questionou.

Além do clima político, a falta de entregas da prefeitura foi duramente criticada. Luciano Almeida questionou a aplicação de recursos em contratos de máquinas e a situação da infraestrutura após as chuvas. “A cidade está cheia de problemas. Quando se faz tapa-buraco, se faz sol, dissolve; se chove, derrete. É uma sensação de desperdício de dinheiro público”, criticou.

Outro ponto de alerta foi a transparência na comunicação institucional. O vereador questionou os critérios para a seleção de veículos de imprensa que recebem publicidade oficial, citando a exclusão de sites locais. “Por que o site Pereira News ficou de fora? Qual foi o critério? É dinheiro público e precisamos saber como está sendo utilizado”, cobrou.

Ao finalizar, ele sugeriu que o prefeito Gustavo Carmo realize uma reforma no secretariado: “Há muitos currículos e poucas entregas. O governo está cercado de bajuladores, e isso empurra qualquer gestão para o erro”.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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