Tribuna Popular: representantes da APAE denunciam falta de transporte e cobram providências

Na sessão realizada nesta terça-feira (02), a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) utilizou a Tribuna Popular para cobrar providências urgentes em relação à falta de transporte escolar para os alunos assistidos pela instituição em Alagoinhas. Durante a sessão, estudantes, representantes da entidade e vereadores relataram os prejuízos enfrentados pelas famílias, além das dificuldades causadas pela interrupção dos veículos responsáveis pelo deslocamento dos alunos.

Aluna da APAE, Patrícia Ferreira dos Santos, fez um pronunciamento emocionado cobrando respeito e a garantia do direito ao transporte escolar adequado para os estudantes da instituição.

“Eu não estou aqui pedindo nada a ninguém. Vim buscar o que é nosso por direito. Queremos ter a certeza de que o transporte voltará a funcionar corretamente. Não queremos veículos sucateados, queremos um transporte digno. Estou cansada de chegar em casa tarde porque os carros vivem quebrando. Isso é um absurdo e uma falta de respeito”, declarou.

Patrícia também afirmou que muitos alunos estão deixando de frequentar a instituição devido às condições precárias do transporte e pediu providências imediatas ao poder público municipal.

“Prefeito, peço ao senhor, encarecidamente, que providencie o conserto desse ônibus. Se estivéssemos na escola com os nossos colegas, hoje não estaríamos aqui. Não estamos pedindo favor, estamos exigindo um direito. Respeitem a nossa dignidade”, completou.

A professora da APAE, Maria de Lurdes Farias, explicou que um dos veículos utilizados no transporte dos estudantes está quebrado há 19 dias, sem previsão de reparo, comprometendo a rotina dos assistidos e das famílias.

“Hoje estão aqui apenas algumas mães que conseguiram trazer seus filhos utilizando o transporte urbano. Acordar cedo e pegar dois ônibus com uma pessoa com deficiência não é fácil. Um dos momentos de maior alegria para os assistidos da APAE é vestir o uniforme e dizer que estão indo para a instituição. E já são 19 dias sem frequentarem esse espaço”, relatou.

Fiscalização

Maria de Lurdes também cobrou maior fiscalização sobre os serviços terceirizados e pediu prioridade na manutenção dos veículos.

“Essa estudante, por exemplo, está sendo transportada em um veículo pequeno, com seis pessoas, trafegando pela BR. Existem alunos que chegam em casa quase ao meio-dia sem conseguir sequer almoçar adequadamente. Outros chegam muito cedo ou muito tarde à instituição. Nós queremos voltar a esta tribuna para agradecer, e não para fazer cobranças como esta”, afirmou.

Ao se manifestar sobre o tema, o vereador Luciano Almeida destacou que o acesso ao transporte e à educação é um direito garantido às pessoas com deficiência e criticou a ausência de medidas efetivas para solucionar o problema.

“Patrícia possui deficiência física e intelectual, mas conhece os seus direitos e luta por eles. O município tem a obrigação de garantir dignidade, transporte, educação e acesso à saúde. Isso não é favor, é direito”, declarou.

Luciano também informou que destinará  emenda parlamentar para a construção de um abrigo em frente à APAE. “Vou destinar uma emenda de dez mil reais para a construção de um abrigo em frente à APAE. Mas o mais importante é garantir que os direitos dessas pessoas sejam respeitados”, afirmou.

Já a vereadora Juci Cardoso classificou a situação como vergonhosa e propôs a criação de uma comissão para buscar uma solução imediata junto à gestão municipal.

“Quando Patrícia afirmou que não estava pedindo nada, mas buscando aquilo que lhe pertence por direito, ela trouxe uma verdade fundamental. Toda ação do poder público é resultado dos impostos pagos pela população. Educação precisa ser prioridade”, pontuou.

Em seguida, a parlamentar destacou a força da estudante durante o pronunciamento: Você demonstra uma força muito grande. Uma mulher negra, uma mulher com deficiência, que conhece a importância da própria voz. Se nos calarmos diante disso, não estaremos compreendendo o verdadeiro papel do Parlamento”.

O vereador Thor de Ninha disse acreditar que o problema decorre de falhas burocráticas e defendeu mudanças estruturais na gestão dos recursos da educação.

“A questão do transporte para pessoas com deficiência deve ser tratada como prioridade absoluta. Muitas vezes se observa apenas o veículo quebrado e não as pessoas diretamente afetadas por essa situação”, declarou.

Thor também afirmou que a situação precisa ser resolvida imediatamente. “Não é possível que uma situação como essa permaneça por 19 dias. O discurso de Patrícia nos sensibilizou profundamente e precisamos dar uma resposta imediata”, disse.

O vereador Anderson Xará, por sua vez, afirmou que toda a Casa ficou sensibilizada com o pronunciamento da estudante e defendeu que o município garanta a logística necessária para o atendimento dos alunos.

“Foi impossível não nos emocionarmos. A APAE é um espaço onde essas pessoas criam vínculos e se sentem acolhidas. Não faz sentido que alunos deixem de frequentar a instituição por causa de um veículo quebrado”, disse.

Na sequência, o vereador Alexandre Xandinho, que cobrou providências urgentes do poder público. “Não é porque faço parte da base do governo que deixarei de me posicionar diante de uma situação como essa. Isso é inadmissível. Patrícia paga impostos como todos nós. Trata-se de um direito garantido por lei”, declarou.

O vereador José Edésio defendeu a necessidade de um planejamento mais eficiente para evitar situações semelhantes, especialmente com a existência de veículo reserva.

“Se sabemos que veículos quebram e imprevistos acontecem, é necessário que exista um transporte de reserva para que nenhuma instituição fique sem atendimento. Essa reestruturação do transporte escolar precisa ser revista”, afirmou.

O vereador Jorge da Farinha lamentou a situação enfrentada pela APAE e cobrou uma solução imediata para que os alunos não continuem prejudicados.

“Se existem dez ônibus escolares em circulação, é preciso haver pelo menos dois veículos de reserva. Não é possível permanecer quase vinte dias sem solucionar um problema como esse. Educação é prioridade e, no caso da APAE, deve ser prioridade absoluta”, afirmou.

O presidente da Câmara, Cleto da Banana, afirmou que a situação é inadmissível e garantiu que a Casa Legislativa acompanhará o encaminhamento proposto pelos vereadores.

“Não podemos aceitar que esses assistidos estejam impossibilitados de frequentar uma instituição que os acolhe por falta de transporte. Se esse veículo apresentou problema, outro deveria ter sido disponibilizado imediatamente”, declarou.

Por fim, o presidente Cleto da Banana sugeriu que veículos terceirizados fossem utilizados de forma emergencial para garantir o retorno dos estudantes à APAE.

“A Prefeitura tem condições de resolver essa situação. Existem empresas terceirizadas prestando serviço e acredito que disponham de veículos de reserva. O importante é garantir que esses alunos sejam atendidos”, concluiu.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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