Vereador Luciano Almeida critica gestão municipal e aponta problemas nos serviços essenciais

Na sessão ordinária desta quinta-feira (5), o vereador Luciano Almeida fez  críticas à administração do prefeito Gustavo Carmo, apontando problemas na prestação de serviços públicos essenciais, atrasos nos pagamentos a empresas contratadas pelo município e dificuldades enfrentadas pela população nas áreas de educação, saúde, abastecimento de água e infraestrutura urbana.

O parlamentar avaliou negativamente os primeiros 22 meses da atual administração e estabeleceu uma comparação com a gestão do ex-prefeito Joaquim Neto, à qual fez oposição durante seis anos. Segundo Luciano, apesar das divergências políticas, o governo anterior mantinha maior disposição para o diálogo com o Legislativo e para atender às reivindicações da população.

“Foi um governo mediano, mas um governo que tinha diálogo, que tinha respeito com esta Casa Legislativa e com os anseios e, muitas das vezes, com o clamor do povo”, afirmou.

O vereador classificou a atual administração como uma continuidade da anterior, porém com resultados inferiores. Também questionou a destinação dos recursos municipais, argumentando que o crescimento da arrecadação não tem sido acompanhado pela melhoria dos serviços oferecidos à população.

Entre os problemas apontados, Luciano mencionou atrasos nos pagamentos a empresas prestadoras de serviços, algumas das quais, segundo ele, acumulam créditos de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões junto à Prefeitura. Para o parlamentar, a situação exige esclarecimentos, especialmente diante do aumento da arrecadação municipal.

Na área da educação, denunciou atrasos de três meses nos pagamentos do transporte escolar, interrupção de aulas em unidades da zona rural e problemas no fornecimento da alimentação aos estudantes. Também relatou deficiências estruturais nas escolas, como salas sem ventiladores, ausência de refeitórios e banheiros compartilhados por crianças e adultos.

O abastecimento de água foi outro ponto abordado. Luciano criticou o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), afirmando que a população continua enfrentando interrupções no fornecimento, mesmo em um município que dispõe de reservas subterrâneas de água. Segundo ele, a arrecadação da autarquia deveria assegurar melhores condições de atendimento aos moradores.

O parlamentar também voltou a tratar da situação do transporte público e das suspeitas de irregularidades envolvendo a liberação de alvarás para o transporte alternativo. Embora tenha mencionado a retomada da operação das linhas de ônibus nesta quinta-feira, cobrou esclarecimentos sobre as denúncias feitas pelo assessor especial Antônio Barreto e questionou a ausência de medidas administrativas em relação aos servidores citados.

Luciano criticou ainda as prioridades da administração municipal, especialmente a realização de festas e eventos enquanto persistem dificuldades nos serviços essenciais. Reconheceu a importância das atividades culturais, esportivas e de entretenimento, mas argumentou que essas iniciativas não podem se sobrepor às necessidades básicas da população.

“Eu acho que o povo precisa realmente de entretenimento, precisa de festa, mas a partir do momento que os serviços essenciais sejam atendidos”, declarou.

Ao abordar os investimentos em infraestrutura, o vereador lembrou que votou contra a autorização de empréstimo aprovada pela maioria da Câmara, destinado à execução de obras no município. Ressaltou que intervenções como pavimentação e construção de meios-fios são importantes, mas não resolvem, isoladamente, os problemas enfrentados pelos moradores.

“O povo não vive só de asfalto, de meio-fio, de cimento”, afirmou, ao mencionar as condições das unidades de saúde, das escolas e das vias públicas.

Como exemplo dos problemas de infraestrutura urbana, relatou o caso de um policial militar cujo veículo, segundo o vereador, teve a parte dianteira atingida pela abertura de uma cratera no local onde estava estacionado.

Na parte final do pronunciamento, Luciano questionou a associação feita por setores da imprensa entre o resultado eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Alagoinhas e a influência política do prefeito Gustavo Carmo. O parlamentar afirmou que a expressiva votação do presidente não poderia ser atribuída exclusivamente ao gestor municipal, a quem atribuiu um índice de rejeição de 70%.

Ao encerrar, o vereador afirmou que Alagoinhas, apesar de sua relevância econômica, populacional e regional, não oferece serviços públicos compatíveis com sua capacidade de arrecadação.

“É lamentável nós vermos a cidade do porte de Alagoinhas, da representatividade que Alagoinhas tem para toda a região”, declarou.

Luciano concluiu classificando a situação do município como preocupante e reiterou sua cobrança por uma administração que priorize os serviços essenciais e as necessidades da população.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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