A conquista do vice-campeonato internacional de karatê pelo alagoinhense Ian Santos Melo, em competição realizada no Egito, e a crise do transporte coletivo foram os principais assuntos abordados pelo vereador Thor de Ninha na sessão desta terça-feira (3).
O parlamentar homenageou o atleta pelo desempenho esportivo e, ao tratar da paralisação dos ônibus, propôs a instalação urgente de uma mesa de negociação entre Prefeitura, empresa, trabalhadores e representantes do Legislativo. Também apresentou informações sobre os subsídios municipais e defendeu a discussão de um novo modelo de mobilidade urbana, incluindo a possibilidade de implantação da tarifa zero.
Thor iniciou sua manifestação parabenizando Ian Santos Melo, que conquistou o segundo lugar em uma competição internacional de karatê no Egito, com a participação de atletas de mais de 30 países. O jovem, que já havia conquistado um título mundial, voltou a representar Alagoinhas em uma disputa internacional de alto nível.
O vereador ressaltou que o resultado demonstra o potencial dos jovens atletas do município quando encontram oportunidades e apoio para desenvolver suas capacidades. Também destacou a postura de Ian diante dos adversários, relatando um episódio em que o atleta ofereceu água ao oponente durante a competição e, após o resultado, o cumprimentou com um abraço.
Thor lembrou que a Câmara Municipal participou de uma homenagem ao atleta antes da viagem, ocasião em que lhe foi entregue uma bandeira de Alagoinhas para ser levada às competições internacionais.
O parlamentar manifestou expectativa de que Ian participe, em 2027, de uma competição mundial no Japão e reafirmou seu apoio à trajetória esportiva do jovem. Também parabenizou seus familiares, o mestre Robson, a Academia Nintai e os demais profissionais envolvidos em sua preparação.
Ao agradecer a colaboração do secretário João Henrique, do prefeito Gustavo Carmo e dos vereadores, Thor destacou a importância do incentivo ao esporte para a projeção do município em competições internacionais.
Crise do transporte coletivo
Na sequência, Thor abordou a paralisação do transporte coletivo e seus efeitos sobre a população, especialmente os moradores dos bairros periféricos, trabalhadores e pessoas que dependem dos ônibus para deslocamentos a outros municípios ou tratamentos de saúde em Salvador.
O vereador comentou críticas dirigidas à Comissão de Transporte da Câmara e afirmou que, segundo as informações de que dispunha, o Sindicato dos Rodoviários não havia comunicado oficialmente a paralisação à Prefeitura. Acrescentou que a comissão já se manifestou e está disponível para contribuir com a solução do problema.
Thor defendeu a instalação imediata de uma mesa de negociação com representantes do sindicato, da empresa, da Prefeitura e da Comissão de Transporte do Legislativo.
“É uma solução que se discute em uma mesa de negociação”, afirmou, ao defender o diálogo entre os envolvidos como caminho para superar o impasse.

Subsídios e tarifa zero
Ao examinar as dificuldades financeiras do sistema, o parlamentar informou que, em 2025, a Prefeitura destinou aproximadamente R$ 7 milhões ao subsídio do transporte coletivo. Para 2026, segundo ele, a previsão orçamentária é de R$ 9 milhões, dos quais R$ 6,5 milhões já teriam sido pagos.
Thor avaliou que a crise atual resulta de um conjunto de fatores, incluindo problemas relacionados à licitação realizada em 2019, os efeitos da pandemia sobre a demanda de passageiros e o crescimento de outras modalidades de transporte.
O vereador lembrou que a licitação considerava uma demanda estimada de 689 mil passageiros por mês, cenário posteriormente modificado pela pandemia e pela expansão dos serviços de transporte por aplicativos, táxis e mototáxis.
Segundo ele, a redução da quantidade de passageiros compromete a arrecadação das empresas, enquanto os custos de operação permanecem elevados. Acrescentou que os usuários passaram a exigir veículos mais confortáveis, cumprimento dos horários e maior qualidade do serviço.
Thor ponderou que o subsídio municipal, embora necessário, não resolve isoladamente os problemas do transporte coletivo. Nesse contexto, defendeu a discussão sobre a implantação da tarifa zero, de segunda-feira a domingo, como alternativa para ampliar o direito de deslocamento da população.
Na avaliação do vereador, a gratuidade também poderia estimular a circulação de consumidores e contribuir para o fortalecimento do comércio e da economia municipal.
O parlamentar ressaltou, entretanto, que a prioridade imediata deve ser a solução da paralisação, que prejudica tanto os usuários quanto os trabalhadores da empresa, que, conforme relatou, enfrentam dificuldades relacionadas ao recebimento do tíquete e à utilização do plano de saúde.
Discussões
Em aparte, a vereadora Juci Cardoso manifestou concordância com a análise de Thor e ressaltou que a Câmara Municipal tem participado das discussões sobre o transporte coletivo e a mobilidade urbana, inclusive com iniciativas de fiscalização e encaminhamentos ao Ministério Público.
Juci criticou decisões tomadas pelas administrações municipais e afirmou que os problemas decorrentes da concentração da operação do transporte já haviam sido apontados pelo Legislativo.
A parlamentar também questionou a forma como o reequilíbrio do subsídio vem sendo conduzido pela Prefeitura, defendendo que a qualidade do serviço seja comprovada antes da concessão dos recursos.
“Primeiro, a empresa tem que provar a qualidade do serviço para ter o subsídio. E não o contrário”, afirmou.

Juci lembrou que vereadores já encaminharam ao Ministério Público questionamentos sobre a ausência de licitação no transporte da zona rural. Também defendeu a ampliação das discussões sobre possíveis irregularidades mencionadas publicamente por integrantes da administração municipal, com a apresentação de informações e esclarecimentos à Câmara.
Redução da frota
Ao retomar a palavra, Thor acrescentou informações sobre a diminuição da quantidade de ônibus disponíveis para atender à população de Alagoinhas.
Segundo o vereador, o município já contou com 93 veículos operados por três empresas. Após o processo licitatório, a frota passou para 62 ônibus, distribuídos entre duas operadoras.
Thor questionou a quantidade atualmente em circulação, mencionando 44 veículos pela manhã e 34 à tarde, com oferta ainda menor nos finais de semana.
Como exemplo das dificuldades enfrentadas pelos usuários, citou o bairro Mangalô, onde reside, que, segundo ele, passou de 14 ônibus para apenas quatro.
O parlamentar também mencionou a redução do atendimento à região da Silva Jardim, cujos moradores enfrentam dificuldades em razão das alterações nos itinerários, com veículos passando pela Baixa da Candeia ou pelo Miguel Velho.
Para Thor, a redução da frota e as mudanças no comportamento dos passageiros exigem uma discussão aprofundada sobre a organização do sistema e a qualidade dos serviços oferecidos.
Ao concluir, reiterou a necessidade de reunir sindicato, trabalhadores, Prefeitura e Comissão de Transporte da Câmara para encontrar uma solução para a paralisação e avançar na reorganização do transporte coletivo em Alagoinhas.
Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz