A demora enfrentada por pacientes que aguardam consultas especializadas, exames e cirurgias através do sistema de regulação foi denunciada pela vereadora Jaldice Nunes na sessão de hoje (15). Segundo a parlamentar, o problema não se restringe às transferências de pacientes internados para unidades hospitalares de maior complexidade e atinge pessoas que chegam a permanecer anos à espera de atendimento.
“Quando as pessoas falam em regulação, a gente imagina alguém que está no leito do hospital e que precisa ir para outra unidade que tenha mais recursos. Mas a regulação vai muito além de uma transferência de um hospital para outro”, afirmou.
A parlamentar afirmou que recebe diariamente pedidos de ajuda de moradores que aguardam procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e chamou a atenção para as consequências sociais e econômicas da espera. Como exemplo, citou o caso de Paulo, morador da comunidade do Buri, que, segundo ela, está impossibilitado de trabalhar devido a um problema no tendão do bíceps e aguarda uma cirurgia ortopédica.
De acordo com a vereadora, diante da demora, Paulo está recorrendo à realização de bingo e à rifa de seu cavalo de estimação para conseguir recursos. Jaldice lembrou ainda que o vereador Anderson Xará conhece a situação e já esteve na residência do morador, prestando apoio e solidariedade.
A parlamentar também questionou o destino dos pacientes que, por apresentarem condições como hipertensão, diabetes, sobrepeso ou determinadas limitações relacionadas à idade, não conseguem ser incluídos em mutirões de cirurgias eletivas.
“E para onde vão essas pessoas que não fazem parte, que não estão na triagem da cirurgia eletiva? Vão para a fila de regulação”, criticou.
Jaldice afirmou conhecer casos de pacientes que aguardam procedimentos há dois, três e até seis anos. Entre as situações relatadas, mencionou mulheres com miomas e sangramentos prolongados, além de pessoas que necessitam de tomografias, ressonâncias magnéticas e cirurgias ortopédicas.

Outro caso apresentado no plenário foi o de Valdir Pinguim, descrito pela vereadora como uma pessoa muito próxima de sua família. Segundo Jaldice, ele está acamado, deixou de receber atendimento domiciliar pelo programa Melhor em Casa e conseguiu marcar uma consulta com cirurgião de coluna no Hospital Ortopédico apenas para novembro.
“Será que um idoso, sem andar, precisando de cadeira de rodas e cadeira de banho, daqui até novembro, como não vai estar essa situação da coluna dele?”, questionou.
Em um dos momentos mais contundentes do pronunciamento, Jaldice relacionou a demora no acesso aos serviços especializados à perda de esperança de pacientes e familiares. Ela recordou o caso de uma mulher que permaneceu 20 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) enquanto aguardava atendimento especializado.
Segundo a vereadora, havia sido solicitada uma consulta com hematologista oncológico, mas a paciente morreu antes de conseguir o atendimento. “A secretaria nunca ligou para a família para dizer que conseguiu a consulta, mas ela já está embaixo da terra, ela já morreu há muitos dias”, declarou.
Ao concluir, Jaldice voltou a enfatizar que o debate sobre regulação não pode ficar limitado aos pacientes internados no Hospital Dantas Bião que aguardam transferência para unidades como o Hospital Regional Dantas Bião, Hospital Regional do Litoral Norte, Hospital Ana Nery, Hospital Santa Izabel e Hospital Geral Roberto Santos.
Para a parlamentar, existe uma dimensão menos visível do problema, formada por pessoas que permanecem em suas casas aguardando consultas, exames e procedimentos necessários até mesmo para a conclusão de diagnósticos.
“A regulação vai muito além disso. São centenas, milhares de pessoas por toda a Bahia que estão morrendo sem uma consulta, pessoas que não estão fechando, inclusive, o diagnóstico e não estão tendo acesso ao serviço de saúde”, concluiu Jaldice Nunes.
Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz