Vereadora Jaldice Nunes lamenta falecimentos, destaca combate ao bullying, denuncia problemas na saúde e critica ocupação desordenada de espaços públicos

A vereadora Jaldice Nunes  prestou, na sessão de ontem (20), homenagens a quatro pessoas falecidas recentemente. No Pequeno Expediente, parlamentar destacou iniciativas comunitárias voltadas às crianças, abordou o combate ao bullying e denunciou a demora na marcação de consultas na rede municipal de saúde. Posteriormente, no Grande Expediente, criticou a ocupação desordenada de espaços públicos e cobrou a pavimentação de três ruas transversais à Avenida Murilo Cavalcante.

Jaldice manifestou pesar pelo falecimento da professora Emília Cardoso, mãe do ex-prefeito Joaquim Neto e amiga de sua família, de Thelma Barreto, irmã de Tonho Rato, de Diva Bastos, mãe das dentistas Marta e Márcia, e de Jairo Primo Bispo, que exerceu sete mandatos de vereador no município de Aramari.

Ao recordar Diva Bastos, a parlamentar destacou a tradição de ornamentar sua residência, nas proximidades da Igreja do Santíssimo Sacramento, durante os períodos natalino e junino. Jaldice lembrou que costumava levar os filhos, ainda pequenos, para apreciar e fotografar a decoração, mesmo em épocas nas quais a Prefeitura não promovia a ornamentação da cidade. A vereadora também refletiu sobre a dificuldade de lidar com a morte, ressaltando que, embora as pessoas se preparem para diferentes acontecimentos da vida, nunca estão verdadeiramente preparadas para a perda de familiares e amigos.

Na sequência, Jaldice comentou sua participação em atividades alusivas ao Dia das Crianças, realizadas no Mangalô, na Praça Kennedy, no Jambreiro e pelo projeto Por Mais Crianças Felizes. A parlamentar elogiou a mobilização das comunidades, que se organizaram para proporcionar momentos de lazer e convivência às crianças, e defendeu que os cuidados com a infância não fiquem restritos às comemorações de outubro.

Para a vereadora, é necessário assegurar diariamente atenção, educação e condições adequadas de desenvolvimento às crianças, reconhecendo suas necessidades no presente, e não apenas sua importância para o futuro.

Ao abordar o combate ao bullying, Jaldice destacou a iniciativa do estudante autista Benjamin Abreu, responsável pela criação do projeto Zero Bullying, apresentado à Câmara Municipal em 2026 por intermédio de seu mandato.

A proposta desenvolvida pelo estudante utiliza dois personagens para estimular o respeito e prevenir situações de intimidação no ambiente escolar: o “xerife”, encarregado de observar comportamentos associados ao bullying, e o “anjo da guarda”, que atua na mediação de conflitos. Segundo a parlamentar, a experiência alcançou 11 turmas do Sesc, nas quais, conforme seu relato, não foram registrados episódios de bullying ao final do período observado.

Jaldice também compartilhou experiências pessoais da infância, quando foi alvo de apelidos ofensivos por utilizar aparelho ortodôntico. A vereadora contou que os constrangimentos chegaram a provocar resistência em frequentar a escola, ressaltando os efeitos emocionais da discriminação e a necessidade de promover o respeito às diferenças e a empatia.

Ao concluir sua participação no Pequeno Expediente, a parlamentar criticou as dificuldades enfrentadas pela população para conseguir atendimento na rede municipal de saúde. Ela relatou o caso de uma pessoa que procurou uma unidade de saúde nas proximidades do IAPSEB, no dia 14 de outubro, e conseguiu agendar uma consulta com clínico geral somente para 9 de março de 2027.

Jaldice considerou preocupante a espera de quase cinco meses por uma consulta básica e afirmou que o episódio demonstra a precariedade do atendimento oferecido à população.

Espaços públicos

Ao retornar à tribuna, no Grande Expediente, Jaldice Nunes manifestou preocupação com a forma como espaços públicos de Alagoinhas vêm sendo utilizados para a instalação de estabelecimentos comerciais. A vereadora criticou a ausência de critérios claros para as autorizações e a falta de padronização das estruturas instaladas em praças e áreas verdes.

Para contextualizar o problema, recordou uma iniciativa do ex-prefeito Joseildo Ramos, que apresentou um projeto de praça de alimentação padronizada para comerciantes que trabalhavam na área posteriormente destinada ao estacionamento da loja Le Biscuit. Entre os empreendedores estava o pai da parlamentar, que possuía uma barraca no local.

Segundo Jaldice, a proposta previa estruturas uniformizadas e a possibilidade de financiamento pelo Desenbahia, permitindo que os comerciantes se adequassem ao projeto urbanístico. A iniciativa, entretanto, não foi concretizada. Posteriormente, na gestão do ex-prefeito Paulo Cezar, a instalação da Le Biscuit alterou a destinação inicialmente prevista para o espaço.

A vereadora afirmou que, atualmente, a ocupação de áreas públicas ocorre sem a organização necessária, com a instalação de barracas de diferentes características. Embora tenha reafirmado seu apoio ao empreendedorismo, questionou a transparência das autorizações e a igualdade de oportunidades entre os interessados.

Jaldice dirigiu críticas ao secretário municipal Hilton Ribeiro, a quem atribuiu responsabilidade pela situação, e cobrou um posicionamento do prefeito Gustavo Carmo. Segundo a parlamentar, o crescimento desordenado de estabelecimentos comerciais compromete a organização urbana e exige medidas de planejamento por parte da administração municipal.

A vereadora relatou ter sido procurada por um morador interessado em instalar um lava-jato em uma praça localizada nas proximidades dos condomínios Sauípe e Águas Claras, na região do Atacadão. Ela manifestou preocupação com a utilização de produtos químicos, o escoamento da água e os possíveis impactos ambientais da atividade.

Jaldice afirmou que não apoiou a solicitação, mas demonstrou receio de que o empreendimento venha a ser autorizado por outras vias. Também mencionou o aparecimento recente de uma barraca na mesma área, sem que, segundo ela, fossem conhecidos os critérios utilizados para permitir sua instalação.

“Qual o critério? De que forma foi essa autorização? Está sendo democrático? Todos os empreendedores da cidade estão tendo oportunidade para competir?”, questionou.

A parlamentar  chamou a atenção para a necessidade de infraestrutura sanitária nos espaços destinados à comercialização de bebidas e alimentos, observando que a instalação desses estabelecimentos deve ser acompanhada de condições adequadas para atender comerciantes e consumidores.

Jaldice insistiu que suas críticas não representam oposição aos empreendedores, mas à falta de planejamento e padronização. Ela defendeu que a Prefeitura estabeleça regras para a utilização dos espaços públicos e elabore projetos com a participação de profissionais de engenharia e dos próprios comerciantes, conciliando a geração de renda com a organização da cidade.

Pavimentação

Na sequência, a vereadora cobrou a pavimentação das ruas Roberto Marinho, Renascer e Campos Sales, transversais à Avenida Murilo Cavalcante. Segundo Jaldice, durante o período eleitoral foi colocado cascalho nas vias, mas os serviços não tiveram continuidade.

A parlamentar relatou ter visitado a região na manhã de ontem (20) e encontrado moradores insatisfeitos com as condições das ruas. De acordo com ela, a poeira avermelhada produzida pelo cascalho invade as residências, compromete a limpeza dos imóveis e agrava problemas respiratórios, especialmente entre idosos e crianças, algumas delas com histórico de internações recorrentes.

Jaldice mencionou o comerciante Cosme, que demonstrou indignação com a demora na realização das melhorias, e registrou a presença da moradora Arlinda no plenário, representando as famílias afetadas.

A vereadora lembrou que já esteve na localidade acompanhada do vereador Luciano Almeida, quando ambos buscaram recursos por meio de emenda parlamentar para viabilizar a pavimentação das três ruas.

Ao criticar a sucessão de promessas não cumpridas, Jaldice afirmou compreender a insatisfação dos moradores, que continuam enfrentando os mesmos problemas após os períodos eleitorais. Ela ressaltou que cabe aos integrantes do Legislativo ouvir a população, fiscalizar a administração municipal e cobrar providências do poder público.

Encerrando o pronunciamento, a parlamentar voltou a questionar os critérios utilizados pela Prefeitura para autorizar a ocupação de espaços públicos por empreendedores. Jaldice levantou suspeitas sobre possíveis interferências políticas nessas decisões e sugeriu que as eleições municipais de 2028 poderão evidenciar as relações entre as autorizações concedidas e o apoio a determinadas lideranças políticas.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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