Vereadora Juci Cardoso exalta unidade feminina na Corrida Lilás, denuncia falhas do Estado na proteção à vida e repudia decisão judicial contra professora baiana

Em discurso na sessão desta terça-feira (10), a vereadora Juci Cardoso fez referência aos funcionários efetivos presentes e destacou a importância de o funcionalismo se apropriar do Legislativo para pautar a modernização da administração pública.

Em seguida, a parlamentar apresentou uma reflexão sobre o 8 de março, pontuando que a data não deve ser vista como uma comemoração, mas como um marco de resistência pela autonomia e, sobretudo, pelo direito das mulheres de permanecerem vivas diante de uma escalada vergonhosa de feminicídios e violências naturalizadas.

A parlamentar fez um registro público de gratidão aos vereadores Edy da Saúde e Cleto da Banana, presidente da Casa, pelo apoio à 1ª Corrida Lilás realizada no último domingo. Juci estendeu o agradecimento às vereadoras Jaldice Nunes e Raimunda Florêncio, além das diversas assessorias parlamentares que se somaram ao evento. Ela enfatizou que a atividade não teve caráter político-partidário, mas sim o objetivo de construir uma sociedade mais justa. “O único lado ali era o das mulheres. Foi uma agenda suprapartidária que precisa ser abraçada também pelos homens, pois o que é simbólico também violenta”, afirmou.

Em um dos momentos mais fortes de seu discurso, Juci Cardoso relatou o esgotamento das mulheres diante da brutalidade do patriarcado, que tenta destruir a identidade feminina mesmo após a morte. A vereadora revelou ter tomado a decisão de tirar porte de arma como uma tentativa mínima de autoproteção diante da falha do Estado e da sociedade em garantir segurança. “Muita gente acha que os relatos são exagero, mas temos mulheres esfaqueadas e mortas. Feminicida preso não ressuscita mulher morta. A vergonha não deve estar na minha voz repetitiva, mas na violência que se repete e numa sociedade que naturaliza agressores”, enfatizou.

A vereadora convocou a bancada feminina da Câmara a manter a unidade na luta, independentemente das divergências ideológicas. Sob o lema “nada sobre nós sem nós”, Juci defendeu que a dor de uma mulher precisa ser sentida por todas, combatendo o silenciamento sistemático imposto pelos governos e pelo próprio Parlamento.

Ela reafirmou que seu tom de voz é uma ferramenta de cidadania e que não aceitará ser rotulada como “nervosa” ou “desequilibrada” por exercer seu papel político. “Mulheres como eu, negras e periféricas, resistem ao caos e estão aqui para dizer que podem estar em qualquer espaço, inclusive construindo luta no Parlamento”, destacou.

Repúdio

Para encerrar, Juci Cardoso registrou nos anais da Casa um ato de repúdio contra a decisão do Judiciário baiano no caso da professora Letícia, da UESB. A parlamentar denunciou que, mesmo com medida protetiva e guarda do filho, a professora teve a prisão decretada após tentar proteger a criança de um agressor.

“O Judiciário está tomando lado e esse lado não é o da proteção das crianças e mulheres. Hoje é com Letícia, amanhã pode ser com qualquer uma de nós”, alertou. Juci finalizou garantindo que sua passagem pelo Legislativo será lembrada pela resistência a um sistema machista, misógino e racista, reafirmando que não baixará a cabeça para opressão alguma.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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