Vereadores alertam para fake news no período eleitoral e defendem valorização de lideranças de Alagoinhas

A circulação de informações no período eleitoral, o combate às fake news e a valorização de candidatos com atuação em Alagoinhas estiveram entre os temas debatidos na sessão desta terça-feira (25).

As discussões envolveram os vereadores Gleyser Soares, Juci Cardoso, Thor de Ninha e Luciano Almeida, que, a partir de abordagens distintas, defenderam responsabilidade na divulgação de acusações e maior atenção dos eleitores à trajetória e ao trabalho dos candidatos.

O vereador Gleyser Soares afirmou que a proximidade do processo eleitoral aumenta a necessidade de atenção às informações que circulam, especialmente nas redes sociais. Para o vereador, o debate democrático deve prevalecer, mas precisa estar associado à verdade.

Gleyser fez uma defesa do mandato da deputada estadual Ludmilla Fiscina, que, segundo ele, tem sido alvo de fake news. O parlamentar também mencionou os deputados Radiovaldo Costa, Paulo Azi e Joseildo Ramos ao defender a renovação de mandatos de representantes que, em sua avaliação, mantêm trabalho voltado para o município.

Ao criticar o que classificou como candidaturas que aparecem em Alagoinhas apenas nos períodos eleitorais, Gleyser argumentou que os eleitores devem observar a trajetória dos postulantes, o vínculo mantido com a cidade e os resultados de seus mandatos. “Alagoinhas não precisa de candidatos de quatro em quatro anos”, afirmou.

Ao falar especificamente sobre Ludmilla Fiscina, o vereador citou ações e reivindicações relacionadas a estradas, educação, abastecimento de água na zona rural, duplicação da ligação rodoviária entre Alagoinhas e Catu e demandas na área da saúde. Também mencionou veículos destinados às comunidades do Catuzinho, Buri, Serra do Ouro e Ponto do Beiju.

Gleyser afirmou que sua manifestação não decorria apenas de sua condição de eleitor e apoiador da deputada. Para ele, a população deve comparar o trabalho realizado pelos representantes políticos com as propostas apresentadas por candidatos que buscam votos no município sem manter uma presença continuada na cidade.

O vereador citou ainda Luciano Almeida e Jaldice Nunes, que são candidatos, destacando suas trajetórias políticas e defendendo que o eleitor considere o trabalho desenvolvido pelos representantes locais. Ao concluir essa parte do pronunciamento, fez um apelo para que a população tenha cautela na escolha dos candidatos e na avaliação das informações recebidas durante a campanha.

A vereadora Juci Cardoso também abordou o uso das redes sociais para ataques pessoais e desqualificação de agentes políticos. Ao comentar o debate levantado pelo vereador Gleyser Soares, ela chamou atenção especialmente para situações envolvendo mulheres e afirmou que determinados ataques reproduzem padrões de violência política de gênero.

Juci citou o caso da deputada Ludmilla Fiscina e ressaltou que, embora apoie outra candidatura para deputado estadual, considerava necessário repudiar ataques que, em sua avaliação, ultrapassam a crítica política e procuram desqualificar pessoalmente a parlamentar. A vereadora ponderou que eventuais denúncias devem ser apresentadas e apuradas nos espaços adequados e afirmou perceber tratamento diferente quando os alvos são mulheres.

A parlamentar também mencionou ataques direcionados à vereadora Jaldice Nunes. Segundo Juci, procurou a colega após assistir a um vídeo com afirmações que considerou desqualificadoras e soube que Jaldice sequer conhecia a pessoa responsável pela publicação. “Ninguém tem obrigação de gostar de ninguém, mas respeito não pode ser opção. É obrigação”, afirmou.

Em sua fala, Juci relacionou o problema à qualidade do debate político durante o período eleitoral. Para ela, candidatos que pretendem representar Alagoinhas precisam apresentar propostas para questões concretas do município, como o SAAE, a tarifa social, a infraestrutura e o desenvolvimento rural, em vez de concentrar sua atuação em ataques contra adversários.

A vereadora também criticou o eventual uso eleitoral de serviços públicos e ações voltadas às comunidades. Ao citar o SUS, defendeu que o acesso aos serviços públicos deve ser tratado como direito de todos, independentemente da preferência eleitoral. “O voto não tem preço, mas ele tem consequência”, declarou.

Juci defendeu ainda que a população observe não apenas o discurso dos candidatos durante a campanha, mas também sua atuação e vínculo com a cidade fora do período eleitoral. Ao mencionar a capoeira, atividade que pratica desde os 12 anos, criticou a aproximação circunstancial de candidatos com manifestações culturais e comunidades apenas durante as eleições.

Para a vereadora, divergências políticas e apoio a diferentes candidaturas fazem parte da democracia, mas não justificam ataques pessoais, ilações sobre a vida privada ou a disseminação de conteúdos destinados apenas a desqualificar adversários. Juci concluiu defendendo um debate eleitoral baseado em propostas, respeito e compromisso com os problemas da população.

O vereador Thor de Ninha manifestou concordância com parte das considerações apresentadas por Gleyser e também saiu em defesa de Ludmilla Fiscina.

Segundo ele, a deputada tem desenvolvido um trabalho expressivo em Alagoinhas e alcançado reconhecimento junto à população. O vereador ponderou, entretanto, que o ambiente eleitoral exige atenção redobrada diante de conteúdos divulgados sobre candidatos.

Para ele, as informações devem ser avaliadas, mas é necessário considerar também o contexto em que determinadas publicações surgem e as possíveis motivações envolvidas em sua divulgação.

“Tudo que for veiculado tem que ser avaliado, mas nós temos que tomar muito cuidado quando essas publicações chegam no processo eleitoral. Tem que saber qual é a intenção real de publicações como essa”, declarou.

Thor encerrou manifestando solidariedade a Ludmilla Fiscina e desejando sucesso à deputada na disputa eleitoral.

Responsabilidade

No Grande Expediente, o vereador Luciano Almeida retomou o assunto e ampliou o debate para a responsabilidade individual na produção e divulgação de informações de natureza política.

Ele  afirmou que não utiliza pseudônimos nem expedientes anônimos para fazer críticas ou acusações e ressaltou que procura levar à tribuna apenas informações que considere passíveis de comprovação. Para Luciano, preservar a credibilidade exige que o agente político assuma publicamente a responsabilidade pelo que afirma.

“Eu procuro falar a verdade e aquilo que eu tenho como verdade, como certeza, aquilo que eu posso provar, comprovar e que eu trago aqui ao plenário para não perder a credibilidade”, disse.

Luciano também diferenciou sinceridade de agressividade. Segundo ele, divergências e críticas fazem parte da atividade política, mas não justificam ataques pessoais nem estratégias destinadas a desqualificar candidaturas por meios que não possam ser assumidos publicamente.

O parlamentar afirmou que, quando considera necessário fazer críticas, utiliza suas próprias redes sociais ou a tribuna da Câmara, identificando-se e assumindo a responsabilidade pelo conteúdo divulgado.

Na sequência, Luciano abordou a presença de candidatos de outros municípios que buscam votos em Alagoinhas. Segundo ele, nas eleições anteriores houve candidatos com votação significativa na cidade mesmo sem possuir atuação política direta no município, em alguns casos beneficiados por vínculos com entidades de classe, igrejas ou movimentos organizados.

Apesar de defender o fortalecimento das lideranças locais, Luciano introduziu uma ponderação ao próprio argumento. O vereador observou que candidatos de Alagoinhas a deputado estadual ou federal também precisam buscar votos em outras cidades, o que poderia gerar uma aparente contradição na crítica aos candidatos de fora.

Ainda assim, defendeu que a população valorize representantes vinculados a Alagoinhas, independentemente de filiação ou corrente partidária, sobretudo aqueles que mantêm atuação em benefício do município ao longo dos mandatos.

“Temos que ser bairristas, procurarmos fortalecer a nossa política e os políticos da nossa cidade, independente da bandeira partidária”, afirmou.

Outro ponto levantado pelo vereador foi o tratamento de denúncias e suspeitas envolvendo agentes políticos. Luciano relatou possuir informações sobre supostas irregularidades encaminhadas ao Ministério Público, inclusive relacionadas a situações de administrações anteriores, mas afirmou que evita antecipar conclusões enquanto aguarda manifestação do órgão competente.

Segundo ele, apresentar uma denúncia não significa que a responsabilidade da pessoa citada esteja comprovada. “Eu não posso chegar aqui e estar penalizando, julgando, antes de sair o parecer do órgão regulador, no caso do Ministério Público”, declarou.

Para Luciano, o ambiente político exige “equilíbrio, sensatez e respeito”, inclusive porque acusações dirigidas a agentes públicos produzem consequências que ultrapassam a disputa eleitoral e atingem familiares, amigos e a trajetória pessoal dos envolvidos.

O vereador avaliou que as fake news poderão atingir diferentes candidatos até as eleições e disse acreditar que ele próprio poderá se tornar alvo desse tipo de conteúdo.

Debate

Em aparte, Gleyser Soares voltou à discussão para esclarecer que sua crítica não se dirigia simplesmente ao fato de candidatos de outros municípios buscarem votos em Alagoinhas, mas àqueles que, segundo ele, procuram o eleitorado local sem possuir serviços prestados ou atuação continuada na cidade.

Gleyser citou a trajetória política de Luciano Almeida e sua atuação em pautas relacionadas às pessoas com deficiência, proteção animal, educação e discussão da tarifa de água. Para ele, quando o eleitor opta por candidatos sem vínculos ou trabalho demonstrado no município, lideranças locais que atuam permanentemente em Alagoinhas podem perder espaço.

Luciano afirmou que a intervenção de Gleyser reforçava o sentido de sua própria manifestação. Segundo ele, a ponderação sobre candidatos de outras cidades foi feita para responder antecipadamente a um possível questionamento sobre o direito dos políticos de Alagoinhas de também buscarem votos fora do município.

Ao concluir, defendeu a valorização dos representantes locais sem distinção partidária e afirmou que deputados estaduais e federais vinculados à cidade devem ser cobrados para manter atenção permanente às necessidades de Alagoinhas.

Para Luciano, mais do que a origem geográfica de uma candidatura, o elemento a ser considerado é a relação construída com o município ao longo do mandato. Na avaliação do vereador, representantes que mantêm esse compromisso devem ser fortalecidos para que Alagoinhas preserve interlocução tanto na Assembleia Legislativa quanto no Congresso Nacional.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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