Vereadores debatem desigualdade social, concentração de renda, pobreza em Alagoinhas e importância do 20 de novembro

A sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (18) foi marcada por debate sobre a desigualdade social em Alagoinhas, concentração de renda e a importância da data cívica da Consciência Negra.

O vereador Thor de Ninha expôs a situação de pobreza e desigualdade no município, correlacionando-a com as dificuldades no acesso a serviços básicos. Ele ilustrou a questão com um exemplo da saúde: “Muitas vezes, uma pessoa que tem um ferimento gasta metade do salário para tratar daquela ferida e, mesmo passando um ano pagando, essa ferida não sara.” Segundo o vereador, a desigualdade social “dificulta o acesso a um bom atendimento e a uma qualidade de vida melhor”.

Thor de Ninha apresentou dados alarmantes sobre a situação econômica e social de Alagoinhas. Ele destacou que Alagoinhas tem um “IDH de 0,68, considerado baixo em alguns casos e médio em outros, quase igual ao da Bahia”.

O que explica isso, segundo ele, é a desigualdade social, comparando a Bahia, que é a “sétima economia do país, mas ainda assim tem um IDH baixo. O que explica isso? A desigualdade social. Nós somos a sétima economia, mas com o povo pobre.”

O vereador informou que há “25 mil famílias inscritas no Bolsa Família” na cidade. Isso significa que estão em “condição de pobreza, quase pobreza absoluta, vivendo com R$ 218,00 per capita”. Ao multiplicar, ele calculou que, com uma média de quatro pessoas por domicílio, “temos quase 100 mil pessoas vivendo com esse valor. 60% da população participa do Bolsa Família, do LOAS ou do BPC. Isso mostra como a cidade é pobre”, alertou.

Thor de Ninha atribuiu a pobreza da cidade, apesar de seu potencial, à “concentração de renda”. Ele defendeu que a solução é estrutural. “As pessoas que mais precisam das estruturas estão nas periferias, elas não têm recursos. Só vamos conseguir nos desenvolver colocando essas pessoas na rota do desenvolvimento. Para isso, é preciso estrutura e investimento. Precisamos combater a concentração de renda – é isso que queremos discutir aqui no município.”

O parlamentar também celebrou o Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro, destacando que a data já era feriado em Alagoinhas “há muito tempo” e se tornou feriado nacional por ação do presidente Lula.

Ele ressaltou a importância da data como um momento de reflexão. “Precisamos discutir consciência negra. É um dia importante para refletir sobre a contribuição dos negros na construção do Brasil, sobre de onde viemos, onde estamos e para onde estamos caminhando. A Consciência Negra é um momento de reflexão e de aprofundamento sobre o tipo de sociedade que estamos construindo.”

 Thor de Ninha ainda citou atividades a serem realizadas nesta quarta-feira (19 de novembro): “Alagodé em Festa: Celebrando Nossas Raízes” na Escola Municipal José Honorato e uma mesa-redonda sobre a Consciência Negra na Escola Júlio Léo de Araújo.

O vereador José Edésio complementou a fala, rememorando a luta local pela data. Ele recordou que, em 2010, “nós fazíamos a lei do 20 de Novembro” e que ele, pessoalmente, “enfrentou várias vezes a Associação Comercial, porque quando o 20 de Novembro virou feriado, foi sancionado, e esta Casa garantiu que o 20 de Novembro era para garantir a presença do povo negro na sociedade.”

Edésio celebrou a validade atual da lei. “Hoje, graças a Deus, é lei nacional e garantiu o feriado, porque eu tinha que entrar na Justiça para garantir a legislação do nosso município.” Ele concluiu, enfatizando que a Casa já tinha essa preocupação “de impedir a exclusão do negro da sociedade”.

Para assistir a sessão na íntegra, clique no link: TV Câmara Alagoinhas

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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