A sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (18) foi marcada por importantes discussões, que incluíram a valorização da história local através do reconhecimento de comunidades quilombolas e a urgência na solução de problemas básicos de infraestrutura, como a falta de abrigos de ônibus.
O vereador Thor de Ninha atualizou as informações sobre o avanço dos processos de reconhecimento de comunidades historicamente relevantes. Ele mencionou a visita recente à comunidade do Tombador, destacando sua história como “comunidade negra, em sua maioria, e que foi rota de passagem de escravizados que não aceitaram a escravidão” e que funcionava como “rota de passagem para outros quilombos”.
Thor ressaltou que o reconhecimento de Tombador, juntamente com Patioba e outras comunidades, é uma antiga reivindicação do seu amigo e ex-vereador Clélio Mendes. “Estivemos lá junto com a Fundação Palmares, e o processo de reconhecimento já está em andamento. Há uma possibilidade real de que a comunidade seja reconhecida oficialmente pelas características que carrega e pela história do seu povo. Esse reconhecimento certamente virá em breve”, afirmou, destacando que a “Fundação Palmares já esteve no local e o processo está avançando.”

A vereadora Luma Menezes celebrou o recente reconhecimento da comunidade do Buri como Quilombo pela Fundação Palmares, classificando o fato como “fundamental” para os alagoinhenses. Luma enfatizou a relevância desses territórios para a sociedade e a ecologia: “Não tem como não falar sobre isso em um momento tão oportuno, que traz discussões sobre a importância dos territórios para a formação da nossa sociedade e para a preservação do nosso ecossistema.”
Ela destacou o papel ambiental dessas populações: “As populações quilombolas são alguns dos principais povos responsáveis por garantir a preservação da nossa natureza, e um dos poucos rios e nascentes que ainda temos vivos e limpos existe justamente hoje no Quilombo do Buri.”
Segundo Luma, o reconhecimento do Buri representa um “resgate da história de como se formou a nossa sociedade enquanto alagoinhenses. Isso significa resgatar nossa essência, para que não esqueçamos de onde viemos e qual a importância desse território para nós.”

Apesar da celebração histórica, as comunidades rurais continuam enfrentando a falta de infraestrutura básica. O vereador Gleyser Soares expressou sua tristeza ao se deparar com a situação no Buri e Catuzinho, onde “dois abrigos de ônibus caídos lá” deixam a população à mercê do tempo.
“As pessoas, que já não têm muito naquela comunidade, lutam pelo básico, que são dois abrigos de ônibus. Isso me entristece porque é o básico, é muito pouco”, lamentou Gleyser. Ele informou sobre o contato com o secretário de Mobilidade, que prometeu uma licitação para a construção de cem abrigos, mas Gleyser manifestou preocupação: “Eu continuo preocupado, porque as licitações nós sabemos a burocracia que é.”

Como alternativa, o vereador sugeriu um contrato emergencial, sem necessidade de aguardar licitação, para que a própria empresa de transporte coletivo disponibilize e instale os dois abrigos. “Afinal, é ela quem está ganhando dinheiro ali”, argumentou. Sua solicitação é que a instalação “não dependa do prazo da licitação, porque é muito pouco – são apenas dois abrigos – para uma comunidade que já não tem muito”.
Luma Menezes somou-se à cobrança, reforçando que a falta de abrigo é um desafio antigo da comunidade do Buri. “Desde o início do ano encaminhamos para a Prefeitura solicitações sobre o ponto de ônibus – principalmente o do Buri – que está do jeito que todos têm acompanhado: simplesmente não existe ponto de ônibus”, declarou.
A vereadora descreveu a situação como crítica: “A população da comunidade do Buri, quando precisa acessar o transporte público, faça chuva ou faça sol, está à mercê do tempo. Se precisa sair cedo para trabalhar e estiver chovendo, toma chuva e espera onde não existe abrigo até o ônibus passar. Isso é inadmissível. Não podemos aceitar que o governo não garanta um mínimo de dignidade para aquelas pessoas.” Ela concluiu que “o básico precisa ser oferecido e priorizado pela gestão.”
Gleyser Soares também anunciou uma conquista para as comunidades de Catuzinho, Buri e Serra do Ouro, a ser entregue na próxima semana junto com a deputada Ludmila Fiscina: “Conseguimos também um carro de apoio zero quilômetro, já documentado e segurado, para atender as comunidades.”
Para assistir a sessão na íntegra, clique no link: TV Câmara Alagoinhas
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz