Os ataques dirigidos ao vereador Luciano Almeida nas redes sociais mobilizaram os pronunciamentos dos parlamentares na sessão desta quinta-feira (10). Parlamentares de diferentes posições políticas manifestaram solidariedade ao colega, repudiaram ataques de caráter pessoal e defenderam que divergências sejam mantidas no campo das ideias, com respeito à honra, à dignidade e à atuação dos representantes eleitos.
Luciano Almeida foi o primeiro a abordar o assunto. O vereador afirmou que a política deve ser espaço para um debate elevado, baseado em propostas, realizações e na trajetória dos agentes públicos, e não em ataques à vida pessoal. “Aqui é a Casa do Povo, a Casa da Democracia, onde todos e todas têm espaço para se expressar”, declarou.
Pré-candidato a deputado estadual, Luciano disse que tem apresentado à população sua trajetória de dez anos como vereador, além dos investimentos e ações atribuídos ao deputado federal Paulo Azi, cujo nome apoia, e a candidatura de ACM Neto. Segundo ele, o debate eleitoral deveria se concentrar justamente naquilo que cada candidato fez e tem a oferecer a Alagoinhas e à Bahia.
O parlamentar relatou a circulação de textos e imagens com insinuações sobre sua vida pessoal e afirmou que esse tipo de abordagem não o intimida. Luciano criticou ainda a utilização de questões relacionadas à orientação sexual como instrumento de ataque político e defendeu o respeito às pessoas independentemente de suas escolhas e características pessoais.
“Não pensem, de forma alguma, que isso me intimida ou me diminui”, afirmou. Ao tratar de sua trajetória, disse que aquilo que poderia atingir sua honra seria o envolvimento com desvios de recursos destinados à saúde, educação, assistência social ou transporte público. “Eu posso bater no peito e dizer aqui: eu tenho as mãos limpas”, declarou.

Luciano também afirmou que seu padrão de vida permanece compatível com sua trajetória e defendeu que a sociedade fiscalize a evolução patrimonial dos agentes políticos. “Eu não entrei na política para me locupletar do erário”, disse. Segundo o vereador, os cidadãos devem observar se o patrimônio e o padrão de vida dos representantes públicos são compatíveis com seus rendimentos.
Em parte de seu discurso, o parlamentar mencionou ainda um momento pessoal vivido recentemente. Informou que foi concluído favoravelmente o processo de reconhecimento de paternidade socioafetiva de sua sobrinha, a quem considera filha, após manifestação judicial, participação do Ministério Público e acompanhamento de assistentes sociais.
Na sequência, a vereadora Juci Cardoso manifestou solidariedade a Luciano e afirmou que os episódios relatados não deveriam ser classificados apenas como desrespeito. “Homofobia não é desrespeito apenas. É crime”, ressaltou. Para ela, quando a violência entra na política, perdem a sociedade, a democracia e a própria população.
Juci defendeu o registro das ocorrências e a responsabilização dos autores. “A internet não é terra sem lei”, afirmou. A vereadora também condenou a prática de utilizar vídeos e redes sociais para constranger ou atacar adversários políticos e citou episódio envolvendo a deputada estadual Ludmilla Fiscina.

Segundo Juci, denúncias devem ser apresentadas aos órgãos competentes, como delegacias, Ministério Público e tribunais de contas, e não transformadas em instrumentos de exposição pessoal.
“Os políticos estão muito mais preocupados em falar mal uns dos outros, em gravar vídeos para viralizar, do que resolver efetivamente os problemas da população”, criticou. Para a vereadora, a naturalização dessas práticas pode afastar pessoas da vida pública e aumentar a sensação de insegurança entre agentes políticos e seus familiares.
O vereador Thor de Ninha também se solidarizou com Luciano Almeida. Apesar de reconhecer as divergências existentes entre ambos no campo político, Thor defendeu que elas permaneçam no terreno das ideias. “Quando o debate inicia um processo de baixar o nível, a gente precisa tomar todos os cuidados, porque a política é o espaço para o debate das ideias”, afirmou. Ele lembrou que, por trás de cada agente político, existem familiares que também podem ser atingidos por ataques pessoais.

Edy Saúde reforçou a manifestação de apoio e recomendou que o vereador procure a Justiça. Ele relatou já ter sido vítima de ataques e disse ter recorrido judicialmente, obtendo êxito. “O melhor caminho ainda é a Justiça”, afirmou.

A vereadora Jaldice Nunes classificou como saudável a divergência de opiniões, mas condenou ataques pessoais e também afirmou que homofobia é crime. Ela relatou que, após anunciar sua candidatura a deputada estadual, recebeu comentários nas redes sociais com insinuações de violência sexual e corrupção, situação que a levou a registrar boletim de ocorrência.
Jaldice destacou ainda os avanços da legislação relacionada aos crimes praticados no ambiente digital e, na condição de presidente do União Brasil Mulher, manifestou apoio político a Luciano Almeida. Segundo ela, o vereador é um dos quadros de destaque do partido, posição que disse compartilhar com o presidente estadual da legenda, deputado federal Paulo Azi. A parlamentar desejou sucesso ao colega em sua caminhada para a Assembleia Legislativa da Bahia.

O vereador José Edésio ampliou a discussão para a defesa institucional do Legislativo. O vereador afirmou que a Câmara Municipal vem sendo alvo de manifestações que, em sua avaliação, desrespeitam o papel do Parlamento. Ele repudiou o que classificou como tentativa de diminuição de Luciano Almeida e defendeu respeito à independência e à representação política do Poder Legislativo.
“Enquanto o Parlamento tiver vez e voz, terá que ser respeitado”, afirmou José Edésio, lembrando a organização constitucional dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Para ele, divergências políticas não podem servir de justificativa para ataques ao Parlamento ou aos seus integrantes.

O vereador Gleyser Soares também prestou solidariedade a Luciano e destacou sua atuação política no município. Ele afirmou que a democracia assegura a liberdade para escolher candidatos e representantes e defendeu que insatisfações com os mandatos sejam resolvidas pelo processo eleitoral. Ao mencionar a futura composição da Câmara, lembrou que o Legislativo passará das atuais 17 para 21 cadeiras.

O vereador Darlan Lucena repudiou o que chamou de atos de covardia praticados por meio das redes sociais e afirmou que a disseminação de fake news vem sendo cada vez mais rejeitada pela própria população. Para ele, quem deseja participar da política deve colocar seu nome à disposição do eleitorado e disputar democraticamente os espaços de representação.
Darlan também defendeu o respeito institucional ao Legislativo, comparando-o aos demais Poderes. “O Poder Legislativo é um poder”, ressaltou, acrescentando que ataques dirigidos aos parlamentares não devem ser naturalizados. “Hoje foi com o nosso colega Luciano Almeida. Amanhã pode ser qualquer um de nós”, advertiu.

A vereadora Luma Menezes reforçou que os responsáveis pela produção e pela disseminação de conteúdos homofóbicos devem responder judicialmente. “Seja quem criou a notícia, seja quem reverberou a notícia. Não importa. É um ato criminoso e as pessoas que cometem crimes precisam ser responsabilizadas”, declarou.

A parlamentar também relacionou o debate à defesa da diversidade e anunciou que, no final de setembro, será realizado o Festival LGBTQIAPN+, iniciativa que, segundo ela, pretende celebrar a diversidade e promover o respeito. Para Luma, a política não pode ser transformada em ambiente de violência, hostilidade e tentativa de desqualificação pessoal.
No encerramento da sessão, o presidente Cleto da Bnana reafirmou a solidariedade institucional da Câmara a Luciano Almeida e destacou que a democracia comporta divergências políticas. Como exemplo, mencionou que, durante a própria sessão, Luciano e Thor de Ninha haviam utilizado a tribuna para falar de candidatos diferentes, situação que classificou como demonstração do funcionamento democrático.
“A democracia é isso. Isso é muito bonito”, afirmou. Segundo ele, críticas ao trabalho e às posições políticas dos vereadores são legítimas, mas ataques à honra não podem ser naturalizados.

O presidente ressaltou que as divergências existentes entre os integrantes da Câmara não impedem uma posição conjunta diante de ataques pessoais. “Sobre a honra, Vossa Excelência pode ter certeza de que, nesse quesito, estamos unidos: um por todos e todos por um”, declarou.
Cleto da Banana também chamou atenção para a responsabilidade de quem compartilha conteúdos ofensivos nas redes sociais e pediu que as manifestações feitas em plenário sirvam de alerta para a sociedade. Ao concluir, reafirmou o apoio da Mesa Diretora e do colegiado a Luciano Almeida: “Conte com esta Casa, com esta Mesa Diretora, com este colegiado”, finalizou.
Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz